adestramento e-book com alexandre rossi

22/09/2011 18:51

 

Adestramento Inteligente: com amor, humor e bom-senso 
Alexandre Rossi 
Editora CMS 
9° edição – 2002 
255p – il. 
 
Contra capa 
Transmitir informações para tomar o convívio com seu cão muito mais prazeroso é a intenção deste livro. 
As técnicas sugeridas permitem adestrar cães de qualquer raça, em qualquer idade, e de uma maneira 
agradável, sempre com respeito e carinho. Dicas práticas são apresentadas para que você encontre 
soluções para problemas que podem estar atrapalhando sua relação com seu melhor amigo, como 
agressividade, xixi fora do lugar, compulsão para roer móveis, e muitos outros. Você compreenderá 
melhor o comportamento do cão e assim será capaz de treiná-lo com muito mais rapidez e eficiência. "Alexandre Rossi, em seu livro, conduz o leitor pelos caminhos do adestramento por reforço positivo, que é um modo suave, inteligente e afetuoso de promover a boa relação entre o Homem e seu cão. Com uma 
linguagem coloquial e de fácil compreensão, serve também para consultas rápidas para prevenção e 
resolução de distúrbios de comportamento." 
Mauro Lantzman 
Médico-Veterinário Clínico de Comportamento Animal Aplicado 
 
"De um modo direto e interessante, Alexandre Rossi põe à nossa disposição os conhecimentos que 
sempre quisemos ter para interagir com o nosso cão. Seu livro é um convite para um melhor encontro do homem com o cão." 
Cesar Ades 
Professor Titular do Instituto de Psicologia (USP) e Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de 
Etologia (Comportamento Animal) 
 
AMOR, HUMOR E BOM SENSO são os princípios adotados pelo autor no adestramento de animais 
que vivem numa sociedade de homens. Aspectos técnicos de treinamento são apresentados sem perder de 
vista o relacionamento afetivo entre o cão e seu dono. Neste livro você vai aprender: 
¾  sobre a natureza do cão: um animal que vive em matilhas; 
¾  seu cão pode ser adestrado desde filhote; 
¾  quais os equipamentos que melhor contribuem para o adestramento; 
¾  que treinamento inteligente inclui paciência e técnicas de comunicação atuais; 
¾  quais são os problemas de comportamento (desde "roer o pé da mesa" até "atacar o carteiro") e 
como resolvê-los; 
¾  que certos comportamentos estranhos dos cães são fáceis de explicar, e que outros não passam de 
mitos. 
 
Alexandre Rossi, formado pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, observa e 
adestra animais desde seus 6 anos de idade. Ampliou seus horizontes participando de pesquisas no Kruger 
Park, na África do Sul, integrando-se a projetos de reabilitação de animais selvagens — muitos dos quais 
à beira da extinção — para lhes dar condições de retomar à natureza. Também trabalhou na Austrália, 
sociabilizando cangurus e outros animais que viviam em parques e apresentavam comportamento 
agressivo com relação a humanos. 
Foi lá que seu método de adestramento começou a ser desenvolvido, ao treinar cães pastores de 
ovelhas que, além de cuidar do rebanho, exerciam diversas atividades longe de seus donos durante 
jornadas exaustivas de trabalho. 
Hoje, Rossi leciona técnicas contemporâneas de adestramento, dá assistência ao animal com problemas de comportamento e orienta seu dono. 
 
 
À Tamara Pall Mall, minha Weimaraner, com quem aprendi muitas coisas. 
 
SUMÁRIO 
 
PREFÁCIO.................................................................................................................................................15 
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................................17 
 
PRIMEIRA PARTE 
Conceitos Fundamentais................................................................................................................. 19 
 
A Matilha................................................................................................................................................... 21 
O cão faz parte de uma matilha....................................................................................................... 22 
Desentendimentos........................................................................................................................... 22 
Papel do líder................................................................................................................................... 23 
A hierarquia é obrigatória............................................................................................................... 24 
Linguagem canina........................................................................................................................... 25 Como fazer uso da linguagem canina............................................................................................. 26 
Liderança......................................................................................................................................... 27 
Quem é o líder da matilha............................................................................................................... 27 
Para o cão, nós somos cachorros..................................................................................................... 28 
Liderando com violência................................................................................................................. 28 
Ande na frente................................................................................................................................. 29 
Inverta a situação............................................................................................................................ .30 
Ganhe respeito e dê bons exemplos................................................................................................ 31 
 
Amor incondicional................................................................................................................................... 33 
Amor e entendimento...................................................................................................................... 34 
Comportamento............................................................................................................................... 34 
Punição............................................................................................................................................ 35 
Treinamento sem traumas............................................................................................................... 37 
 
A Troca...................................................................................................................................................... 39 
Tipos de troca.................................................................................................................................. 40 
Objetos de troca............................................................................................................................... 40 
Desafios e recompensas.................................................................................................................. 42 
O valor da troca............................................................................................................................... 43 
Como valorizar um objeto de troca................................................................................................. 43 
Alternativas para a troca.................................................................................................................. 44 Recompensa negativa...................................................................................................................... 45 
 
A Atenção.................................................................................................................................................. 49 
A atenção: conseqüência e causa.................................................................................................... 50 
Reforce a atenção............................................................................................................................ 50 
O cachorro como foco da atenção................................................................................................... 51 
O reverso da atenção....................................................................................................................... 51 
A atenção: estímulo e não limitação............................................................................................... 52 
 
SEGUNDA PARTE 
As Fases do Desenvolvimento Cerebral.................................................................................................. 55 
Período inicial - do nascimento até o 50° dia.................................................................................. 56 
Período de socialização - do 50° ao 85° dia.................................................................................... 57 
Período de dominância - da 12ª à 16ª semana................................................................................. 59 
Período de independência – do 4° ao 8° mês.................................................................................. 60 
Período da adolescência até a maturidade – de1 a 4 anos............................................................... 60 
 
TERCEIRA PARTE 
Equipamentos............................................................................................................................................ 65 
Brinquedos para distração, divertimento e redução do estresse...................................................... 66 
Brinquedos recomendados.............................................................................................................. 68 
Cuidado com estes brinquedos........................................................................................................ 68 
Coleiras e guias............................................................................................................................... 69 
Plaquetas de Identificação............................................................................................................... 70 Coleiras........................................................................................................................................... 70 
Enforcadores................................................................................................................................... 71 
Colocando o enforcador:................................................................................................................. 72 
Alternativas mais eficientes que o enforcador................................................................................ 73 
Guias............................................................................................................................................... 73 
Caixa de contenção/transporte........................................................................................................ 75 
Local ideal....................................................................................................................................... 76 
Tamanho.......................................................................................................................................... 76 
Tempo............................................................................................................................................. 77 
Modelos de caixas de contenção/transporte.................................................................................... 78 Petiscos e outras recompensas........................................................................................................ 78 
Utensílios que ajudam a "punição"................................................................................................. 79 
Coleiras de treinamento................................................................................................................... 81 
Coleiras contra latidos excessivos................................................................................................... 81 
Coleiras que impedem que seu cão saia de sua propriedade........................................................... 82 
"Clickers"........................................................................................................................................ 83 
Removedores de odor..................................................................................................................... 84 
 
QUARTA PARTE 
Adestramento inteligente.......................................................................................................................... 89 
Técnicas do Adestramento Inteligente.................................................................................................... 91 
A técnica de adestramento e as leis fundamentais.......................................................................... 92 
Tenha paciência.............................................................................................................................. 92 
Inteligentes mas não adivinhos....................................................................................................... 93 
Associações corretas dependem de repetição................................................................................. 94 
Personalizar ou não as punições?.................................................................................................... 95 
Como despersonalizar a punição..................................................................................................... 96 
Cuidado para não dessensibilizar as punições................................................................................ 97 
Saiba alternar recompensa e punição.............................................................................................. 97 
Fracasso como punição e sucesso como recompensa..................................................................... 99 
Bronca pode ser recompensa......................................................................................................... 101 
Ignorar é uma ótima punição......................................................................................................... 101 
 
Linguagem para se comunicar com o cão............................................................................................. 105 
Linguagem..................................................................................................................................... 106 
 
Técnica do Click...................................................................................................................................... 113 
O que é o “clicker”........................................................................................................................ 114 
Confira poder ao seu clicker......................................................................................................... 116 
Aprenda a capturar um comportamento com seu clicker.............................................................. 116 
Aperfeiçoe Comportamento o comportamento com o clicker...................................................... 117 
Confira ainda mais poder ao seu clicker....................................................................................... 118 
 
Comandos ............................................................................................................................................... 121 
 
Senta......................................................................................................................................................... 122 
Informações gerais sobre o comando ............................................................................................ 122 
Para capturar o comportamento.................................................................................................... 122 
Relacione o comportamento ao comando oral e gestual............................................................... 123 
Modele o comportamento............................................................................................................. 123 
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 124 
Problemas e soluções.................................................................................................................... 124 
 
Vem........................................................................................................................................................... 125 Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 125 
Capture o comportamento............................................................................................................. 127 
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 127 
Modele o comportamento............................................................................................................. 127 
Dificulte e varie as situações........................................................................................................ 128 
Problemas e soluções.................................................................................................................... 128 
eita......................................................................................................................................................... 128 
Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 129 
Capture o comportamento............................................................................................................. 129 
Relacione o comportamento ao comando...................................................................................... l30 Modele o comportamento............................................................................................................. 130 
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 130 
Problemas e soluções.................................................................................................................... 130 
 
Fica........................................................................................................................................................... 130 
Informações gerais sobre o comando ............................................................................................ 131 
Capture o comportamento............................................................................................................. 132 
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 132 
Modele o comportamento............................................................................................................. 133 
Aumente o estresse e varie as situações........................................................................................ 133 
Problemas e soluções.................................................................................................................... 133 
 
Junto......................................................................................................................................................... 134 
Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 134 
Capture o comportamento............................................................................................................. 135 
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 135 
Modele o comportamento............................................................................................................. 135 
Dificultando e variando as situações............................................................................................. 136 
Problemas e soluções.................................................................................................................... 136 Busca........................................................................................................................................................ 136 
Informações gerais sobre o comando............................................................................................ 136 
Capture o comportamento............................................................................................................. 137 
Relacione o comportamento ao comando..................................................................................... 138 
Modele o comportamento............................................................................................................. 138 
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 139 
Problemas e soluções.................................................................................................................... 139 
 
Pula........................................................................................................................................................... 119 
Informações gerais sobre o comando ............................................................................................ 140 
Capture o comportamento............................................................................................................. 140 
Relacione com o comando............................................................................................................ 141 
Modele o comportamento............................................................................................................. 141 
Dificulte e varie as situações......................................................................................................... 141 
Problemas e soluções.................................................................................................................... 141 
 
Planejamento de comandos avançados................................................................................................. 141 
 
Não comer comida envenenada............................................................................................................. 144 
 
Truque, jogos e brincadeiras................................................................................................................. 146 
Cumprimenta................................................................................................................................. 146 
Frisbee - free style......................................................................................................................... 146 Acompanhar a bicicleta................................................................................................................. 147 
Puxar patins, etc............................................................................................................................ 148 
Guardar os brinquedos.................................................................................................................. 148 
Procurar as chaves......................................................................................................................... 149 
 
Ataque e Defesa....................................................................................................................................... 150 
Defender a casa até você chegar perto.......................................................................................... 151 
Dica para cães que não mostram agressividade para proteger a casa........................................... 151 
Como fazer o cão parar de latir quando você se aproximar.......................................................... 152 
Comando amigo............................................................................................................................ 153 
Atacar sob comando...................................................................................................................... 153 
Fingir agressividade em um passeio quando um marginal se aproxima....................................... 155 QUINTA PARTE 
Problemas de comportamento: como resolver..................................................................................... 157 
As necessidades fisiológicas do cão........................................................................................................ 159 
Fazer as necessidades em um lugar determinado.......................................................................... 160 
O condicionamento começa cedo.................................................................................................. 160 
Não dê atenção a comportamentos indesejáveis........................................................................... 161 
Rotina como solução..................................................................................................................... 162 
Quando você se distrai.................................................................................................................. 164 
Adultos também podem ser ensinados.......................................................................................... 165 
Urinar por submissão ou excitação............................................................................................... 163 
Urinar por dominância.................................................................................................................. 167 
Outras causas que provocam a regressão no aprendizado............................................................ 168 
 
Agressividade........................................................................................................................................... 171 
Agressividade................................................................................................................................ 172 
Um cão de guarda não tem de atacar necessariamente................................................................. 172 
Além de selecionar a raça e a família do filhote, garanta-lhe um tratamento adequado............... 173 
Identifique corretamente o tipo de agressividade.......................................................................... 171 
Não acorrente seu cão................................................................................................................... 174 
Estude o problema antes de tentar curá-lo.................................................................................... 174 
Agressividade por dominância...................................................................................................... 175 Agressividade por medo................................................................................................................ 178 
Agressividade transferida.............................................................................................................. 180 
Outras causas para agressividade.................................................................................................. 181 
Brigas entre cachorros desconhecidos.......................................................................................... 182 
Brigas entre, cachorros da mesma casa......................................................................................... 186 
Separar brigas................................................................................................................................ 192 
Latir em demasia........................................................................................................................... 194 
Latidos topem ser úteis.................................................................................................................. 195 
Elimine as causas do comportamento........................................................................................... 195 
Não ensine o que você não quer.................................................................................................... 196 
Punição despersonalizada para evitar latidos na sua ausência...................................................... 197 
Boa vizinhança.............................................................................................................................. 198 
Coleiras antilatidos........................................................................................................................ 198 
Utilize a força das recompensas.................................................................................................... 199 
 
Problemas do cão em relação as pessoas............................................................................................... 201 
Problemas de comportamento quando você não está em casa...................................................... 202 
Os cães têm imaginação e criam delírios...................................................................................... 202 
Cães mimados sofrem mais........................................................................................................... 203 
Outras maneiras de diminuir a ansiedade causada pela separação............................................... 205 
Chorar à noite................................................................................................................................ 205 
Conforte o animal.......................................................................................................................... 207 A ansiedade é o problema............................................................................................................. 207 
Não recompense comportamentos indesejáveis............................................................................ 207 
Punições despersonalizadas podem ajudar.................................................................................... 208 
Pular nas pessoas........................................................................................................................... 209 
Vocês é que são os "culpados"...................................................................................................... 209 
Recompense-o com atenção somente quando não pular............................................................... 210 
Cuidado para não confundi-lo....................................................................................................... 211 
Morder as pessoas como forma de brincar.................................................................................... 212 
Eduque-o desde o começo............................................................................................................. 213 
Tentativas de copular com pessoas e outros cães.......................................................................... 214 
Ciúmes em relação a pessoas ou outros cães................................................................................ 215 
Como lidar com o problema.......................................................................................................... 217 
Cuidado com punições e privações seletivas................................................................................ 217 Problemas do cão em relação à casa..................................................................................................... 219 
Cavar o jardim............................................................................................................................... 220 
Elimine as causas.......................................................................................................................... 220 
Quando e como puni-lo................................................................................................................. 221 
Subir nos móveis........................................................................................................................... 222 
A arte de despersonalizar punições............................................................................................... 223 
Deixe a situação bem clara para seu cão....................................................................................... 224 
Roer as coisas................................................................................................................................ 225 
Não permita que o comportamento se torne um vício.................................................................. 226 
Deixe os brinquedos ainda mais interessantes para o seu cão...................................................... 226 
Supervisione o comportamento dele e puna-o quando necessário................................................ 227 
 
Problemas do cão relacionados ao ato de comer.................................................................................. 229 
Roubar comida.............................................................................................................................. 230 
O próprio ato se auto recompensa................................................................................................. 230 
A punição deve ser relacionada com o fracasso da intenção........................................................ 231 
Pedir comida quando você está comendo..................................................................................... 232 
Não o recompense por comportamentos que você quer eliminar................................................. 232 
Comer fezes de outros animais..................................................................................................... 233 
Soluções........................................................................................................................................ 234 
Comer as próprias fezes................................................................................................................ 235 
As soluções para esse problema.................................................................................................... 236 Problemas com o cão na hora do passeio.............................................................................................. 239 
Puxar a guia................................................................................................................................... 240 
Há motivos para seu cão puxá-lo, pelo menos ele acha que sim.................................................. 240 
A importância do equipamento correto......................................................................................... 241 
O treinamento propriamente dito.................................................................................................. 242 
Outros equipamentos que auxiliam o adestramento...................................................................... 243
Assim seu cão entenderá que não adianta puxar!.......................................................................... 243
Correr para a rua (e o perigo de ser atropelado)............................................................................ 244 
 
PARTE FINAL 
Curiosades............................................................................................................................................... 247 
Comportamentos........................................................................................................................... 247 
Por que o cão cheira o rabo dos outros?........................................................................................ 247 
 
Mitos......................................................................................................................................................... 248 
O cão precisa aprender a tacar para não atacar?............................................................................ 248
Cães preferem ficar apertados dentro da casa (com as pessoas) ou livres no quintal (sozinhos). 248 
Deixar o cão preso é uma boa maneira de “fabricarmos” um cão-de-guarda?............................. 249 
É preciso repetir várias vezes para que o cão aprenda?................................................................ 249 Capacidades............................................................................................................................................. 250 
Inteligência dos cães..................................................................................................................... 250 
 
Órgãos sensoriais.................................................................................................................................... 251 
Visão............................................................................................................................................. 251 
Olfato............................................................................................................................................. 252 
Audição......................................................................................................................................... 252 
 
Interações especiais com humanos........................................................................................................ 253 
Cães para portadores de deficiência visual................................................................................... 253 
Cães para portadores de deficiência auditiva................................................................................ 253 
Cães para paraplégicos.................................................................................................................. 253 
 
Bibliografia.............................................................................................................................................. 255 
 
PREFÁCIO 
Dra. Hannelore Fuchs 
Médica-veterinária e psicóloga Especialista em comportamento animal 
 
Ah, se eu soubesse - lá em 1955, quando me formei como médica-veterinária, e acredito que todo 
veterinário deveria saber quando se forma - que exercera medicina veterinária sem sólidos conhecimentos 
de comportamento animal não é viável. 
O caminho para adentrar a área de comportamento e distúrbios comportamentais caninos até agora 
requeria do estudioso pelo menos influência no inglês e poder aquisitivo para perquirição dos inúmeros 
livros técnicos, todos em língua estrangeira. Eis que, para minha surpresa, me foi apresentada esta 
simpática obra, uma ilha em português, no meio de tantos livros em inglês, francês e alemão, calcada em 
leituras e experiências do autor "buscadas, com muito mérito, lá fora". 
De utilidade prática e surgido da prática, o livro leva o leitor, técnico ou leigo, a compreender 
fundamentos da estrutura social, desenvolvimento e psicologia canina e se tornar "o melhor amigo do 
cão", sem perder a liderança. A comunicação ser humano-animal, que apresenta vieses quando nós seres 
humanos queremos interpretar a linguagem canina, será facilitada, e muito, se forem seguidas as regras e 
dicas apresentadas. 
Com clareza e bom humor ensinam-se técnicas básicas e vitais de educação canina, apresentando 
princípios de reforço indispensáveis para um convívio harmonioso. As idéias que o autor, baseado em sua prática e estudos, divide com outros profissionais e pessoas interessadas no assunto dão a oportunidade de
pensar e repensar o cão e todos os seus momentos evolutivos, a fim de abrir novas propostas
educacionais. 
Merece louvor a parte dedicada aos problemas comportamentais. De forma simples, ela oferece
subsídios iniciais para lidar com esse assunto e desfaz muito das crenças antigas de como e quando
intervir. 
A partir deste trabalho muito poderá ser feito: haverá um entendimento melhor do porquê de
determinados comportamentos, haverá a possibilidade do veterinário, do criador, do adestrador e do
proprietário se unirem para construir uma ponte que integre o cão de maneira satisfatória na matilha
humana. 
O esforço e o ideal que nortearam esta obra serão de serventia a todos nós. 
 
INTRODUÇÃO 
 
Este livro é destinado às pessoas que gostam de animais e estão procurando melhorar o
relacionamento com seu cachorro. Trata-se de uma ferramenta valiosa para que você se aproxime do
universo canino e possa se comunicar com seu cão de uma maneira que ele entenda. Obediência e
respeito são obtidos através de consideração e dignidade, mas somente boas intenções não bastam
portanto aprenda a falar a língua dele! O convívio com um cão adestrado é, sem dúvida nenhuma, mais
prazeroso, fazendo com que o animal e seu dono se sintam muito mais felizes. 
Uma das grandes motivações que me levaram a escrever este livro foi a experiência que adquiri
atendendo proprietários que me traziam seus animais "problemáticos". Nessas consultorias, notei queraramente os animais apresentavam verdadeiros desvios de comportamento: o que havia, realmente, era
uma grande falha de comunicação entre as duas espécies, e a minha tarefa prioritária era "apresentar" o
cão ao seu proprietário. Para estender a um número bem maior de lares a ajuda que presto pessoalmente
decidi passar para o papel os conhecimentos que fui acumulando em anos de prática, sem deixar de lado a
base teórica que procuro manter sempre atualizada. A intenção deste livro é mostrar como o cão
"raciocina", sente e reage diante das diversas situações que se apresentam no seu dia-a-dia em contato
com os homens, e de que maneira o dono deve agir para ser compreendido por seu cão a fim de tornar a
convivência entre pessoas e animais ainda mais agradável. 
As técnicas descritas neste livro são o que há de mais eficiente para o condicionamento de
animais, podendo ser aplicadas a praticamente qualquer espécie domesticável, embora estejam
direcionadas para cães. São técnicas que, por tratar o animal com respeito, já formaram, e estão formandocampeões em diversas modalidades de competição canina. 
As primeiras quatro partes em que o livro foi dividido devem ser lidas obrigatoriamente para um 
entendimento global da obra. A quinta parte destina-se a auxiliar o leitor a resolver problemas específicos 
de comportamento e pode ser consultada conforme surgir a necessidade, embora sua leitura prévia possa 
prevenir tais problemas. 
A parte final relata curiosidades do mundo canino, desde o esclarecimento de mitos a interações 
especiais com humanos, podendo ser lida a qualquer momento. 
Desde que o leitor tenha tempo, é preferível uma primeira leitura completa, bastando depois 
consultar qualquer parte ou capítulo isolado quando tiver dúvidas. Para facilitar a localização do item 
desejado, o livro está dividido em subtítulos e, além disso, no início de cada capítulo há uma lista com os 
tópicos principais e, no final, um resumo para a aplicação prática do que foi apresentado. 
 
Curta seu cão! 
 
Alexandre Rossi 
e-mail: rossi@adestramentointeligente.com.br 
www.adestramentointeligente.com.br 
PRIMEIRA PARTE 
CONCEITOS FUNDAMENTAIS 
 
Quatro conceitos fundamentais formam a base de um convívio harmonioso entre o seu cão e você, 
além de assegurar um adestramento correto: 
 
ƒ  a matilha: para o cão, a família humana é um conjunto de cachorros; 
 
ƒ  o amor incondicional: o cão deve sentir que gostamos dele independentemente do que posas 
fazer; 
 
ƒ  a troca: a obediência do cão deve ser recompensada; 
 
ƒ  a atenção: se o cão estiver atento, aprenderá com mais profundidade, eficiência e rapidez. 
 
Os cães não são só companheiros, protetores e diversão para nossas crianças. São animais 
predadores que vivem em matilhas e possuem uma complexa organização social. 
Se entender e respeitar essa organização, o resultado será felicidade e bem-estar reinando entre 
você e seu grande amigo. 
 
Neste capítulo você vai aprender: 
 
¾  Que, para o cão, sua família é a matilha. 
 
¾  Que o cão só vai respeitá-lo se você for o líder dessa matilha. 
 
¾  Como se tornar o líder. 
 
¾  Que a violência deve ser evitada. 
 
 
O CÃO FAZ PARTE DE UMA MATILHA 
A primeira lei do adestramento, e também do convívio entre cães e humanos, exige que você 
compreenda a realidade do cão. Ele não é gente. É um ser que pertence à matilha e possui ainda todos os instintos de sobrevivência, proteção e afeto de que seus antepassados necessitaram para  sobreviver como 
espécie. 
 
DESENTENDIMENTOS 
Sem a consciência de que somos diferentes, entramos em disputa com os cães e acabamos ficando 
nervosos ou frustrados com suas reações. Esperamos que os cães queiram o que queremos, que sintam 
como nós sentimos e, ainda pior, que pensem como nós pensamos. 
Suponha que, ao alimentar seu cão, ele comece a rosnar para você. Isso imediatamente o deixa 
transtornado, pois você interpreta isso como ingratidão e, além de não se sentir amado, sente-se 
ameaçado. Nós nos comportamos e reagimos de maneira diferente da dos cães quando amamos. Se 
esperarmos que os cães se comportem como humanos, seremos vít imas de sérios mal-entendidos. 
Ficaremos muito frustrados e não usaremos nosso tempo para entender pacificamente as diferenças que 
existem entre homens e cães. 
Entender como funciona uma matilha não lhe dá apenas uma nova e crucial compreensão sobre o 
cachorro, mas também uma visão diferente de como ele deve ser treinado. Os valores dos cães são 
diferentes dos nossos, e é pelo conhecimento deles que percebemos os erros mais comuns ao educar e 
adestrar os cães. 
22 
 
PAPEL DO LÍDER 
Os cães, na matilha, necessitam de um líder, um cão que graças às suas, habilidades conduza os 
demais. Inúmeras regras são impostas por ele ao grupo. A marcação do território, por exemplo, 
geralmente cabe ao líder da matilha; portanto, quando o nosso cãozinho sair pela casa urinando, provavelmente estará disputando a liderança ou acreditando que é o líder da matilha. 
O líder da matilha, felizmente, impõe respeito por sinais e atitudes, e a briga só em último caso é a 
forma de disputa pela liderança. Isso ocorre por uma razão muito importante: quando os cães brigam 
realmente, eles se machucam, e qualquer membro da matilha debilitado diminui as chances de 
sobrevivência do grupo. O tempo todo os animais recebem e passam informações uns aos outros a 
respeito de quem é o líder e de quem é o subordinado. Se eles, por milênios, agem assim para estabelecer 
a ordem, teremos mais sucesso se fizermos a mesma coisa. Como conseguir isso? Neste capítulo explica-
remos como se tornar o líder da matilha sem empregar a violência ou machucar seu cão. 
23 
 
A HIERARQUIA É OBRIGATÓRIA 
Muitas vezes, passamos inconscientemente ao cão a informação de que ele é o líder da matilha, e 
quando ele age como tal ficamos transtornados e aborrecidos. Não é justo não gostarmos do nosso cão por 
ele ter agido de acordo com a educação que recebeu de nós mesmos. Há um ditado que diz: "Cada pessoa 
tem o cachorro que merece". É uma verdade expressa pela sabedoria popular, pois nós influenciamos de 
tal maneira o meio ambiente e as atitudes de nossos cães, que praticamente tudo que eles aprendem é 
resultado direto ou indireto de nossa maneira de tratá-los. 
Se quiser ser respeitado por seu cão, você pode escolher um método que lhe pareça interessante e 
tentar impor isso ao animal, ou pode utilizar um método que faça sentido para ele. É claro que o segundo 
método é bem mais eficaz, mas depende de um conhecimento muito maior sobre cães. Por exemplo, um 
método bastante popular é bater no cão quando ele faz algo errado. Acontece que, para ele, uma pancada significa ataque ou convite para brincar, e nenhuma das alternativas corresponde ao que você gostaria de 
lhe comunicar. 
Para os cães a hierarquia é obrigatória, todos os cães sabem exatamente o lugar que ocupam na 
ordem dentro do grupo. Cada posição e cada atitude têm significado para os outros cães. Essa linguagem 
canina é natural e importante para eles. Se o filhote for separado da mãe e dos irmãos muito cedo (antes 
de sete semanas), a linguagem não se tornará natural, o que vai criar problemas para o animal no convívio 
com outros, além de fazer dele um cão mais difícil de ser treinado. 
24 
 
LINGUAGEM CANINA 
Os cães se testam continuamente para saber quem é o líder. Como dissemos antes, não é 
necessário que briguem para estabelecer o domínio. A liderança é assegurada por atitudes e posições queformam a linguagem canina. A seguir daremos alguns exemplos da linguagem usada pelos cães e seus 
significados. 
 
1. Um cão pode rosnar e ameaçar brigar até que o opositor saia de perto, corra ou fique numa 
posição que queira dizer "ok, você é o chefe". Esse é o sentido que têm as posições vulneráveis que 
permitem ao vencedor fazer o que quiser, inclusive tirar a vida do subordinado. Existem duas posições 
clássicas: ou o animal vencido se deita com a barriga virada para cima (expondo a parte frágil da barriga) 
ou se curva mostrando a nuca (que também é frágil). Em ambas as posições as orelhas ficam coladas à 
cabeça (ou para trás) e a ponta da língua permanece fora da boca. 
 
2. Ou pode andar todo esticado em torno do oponente, com a cauda erguida e o pêlo arrepiado Isso 
significa: "Sou líder!" Se o outro aceitar o domínio, irá assumir uma posição de submissão; se não aceitar 
a hierarquia proposta, irá partir para a briga até que haja um vencedor que submeterá o outro. 
25 
 
COMO FAZER USO DA LINGUAGEM CANINA 
Às vezes, ladrões são encontrados vivos em casas protegidas por cães ferozes que deixaram de 
atacar os invasores assim que esses se curvaram ou deitaram no chão e não se mexeram mais. Por sorte, 
os ladrões ficaram numa posição de submissão diante dos cachorros, para quem a disputa perdeu o 
sentido. Se esses ladrões tivessem tomado outra atitude poderiam ter morrido na ocasião. É claro que este 
não é um manual para ladrões, com truques de como assaltar uma casa, mas todas essas reações e 
comportamentos se mostram importantes para transmit ir um sent imento de domínio e confiança ao animal. Por exemplo, quando o seu cachorro estiver aterrorizado com raios e trovões em meio a uma 
tempestade, estufar o peito e andar firmemente significa que você tomará conta da situação. Isto o 
acalmará. Se você, em vez disso, se abaixar e acariciar o cachorro, poderá amedrontá-lo ainda mais, pois 
na linguagem canina estará passando o comando para ele e mostrando que também está com medo. 
Entender a matilha e o comportamento de seus membros também auxilia o treinador a aumentar a 
confiança de cães excessivamente submissos e corrigir comportamentos decorrentes disso. Um cão 
excessivamente submisso costuma urinar e virar de barriga para cima toda vez que seu dono chega em 
casa ou fala com ele. 
26 
Nessas circunstâncias, a pior maneira de lidar com o problema é gritar com esse cão ou dar uma 
surra nele por urinar. Ele já está mostrando sinais de submissão e, se você gritar, isso significará que a 
mensagem que ele transmitiu ainda não está clara. Isso o levará a urinar mais ainda ou sair correndo... 
O conhecimento de cada expressão corporal do seu cão auxilia incrivelmente a determinar a 
eficiência da punição, da recompensa e a prevenir ataques. 
 
LIDERANÇA 
Desde filhotes, os cães já demonstram disposição para disputar a liderança do grupo, e as 
brincadeiras são fundamentais. É através delas que o cãozinho desde logo percebe como controlar a força 
de suas mordidas, aprende a se comportar, a brincar e a disputar. 
Os líderes das matilhas geralmente indicam o rumo aos demais caminhando à frente. É possível 
distinguir logo cedo o cãozinho com maiores chances de ser líder pois, para onde ele vai, os outros o 
seguem.  
 
QUEM É O LÍDER DA MATILHA 
Ser o líder da matilha significa estabelecer as regras. 
Qualquer pessoa que tenha um cão e queira morar numa casa que não funcione de acordo com padrões 
caninos, terá todo o interesse em estabelecer as regras. Para isso, paradoxalmente, precisará se comportar 
como se fosse o líder da matilha. 
Ao contrário do que muita gente pensa, o líder da matilha costuma ser o membro mais querido do grupo. 
É impressionante o carinho e a alegria demonstrados pelos cães quando o líder os agrada, ou quando volta 
de uma caçada ou de algum passeio. Se você conseguir ser o líder do seu cão, ele o respeitará mais e 
gostará mais de você. 
27 PARA NOSSO CÃO NÓS SOMOS CACHORROS 
Para o cão, a nossa família é a matilha à qual ele pertence. É isto mesmo, para ele, nós também
somos cachorros! Ele tentará descobrir qual a posição que ocupa entre os membros da família. Mesmo
que goste muito das pessoas, se o seu cão acreditar que poderá liderar a matilha, irá disputar o poder com
você de inúmeras formas, a maioria delas superdesagradáveis! Carinho e afeto para ele não impedem
disputas pela hierarquia. Ser o líder da matilha significa proteger os demais membros e impor as regras
para que a matilha prospere. Podemos observar dois cães se lambendo e mostrando afetividade não muito
depois de terem disputado a liderança a mordidas. 
 
LIDERANDO COM VIOLÊNCIA 
Uma das maneiras do cão aprender é por imitação, por isso, se uma pessoa conseguir impor
respeito ao seu cão pela violência, provavelmente fará com que esse cão imite a sua técnica para obter
respeito ou, quem sabe, chegue um dia a disputar violentamente com ela a posição de liderança. Alguns
fortões riem, incrédulos, quando são informados de que seu cão poderá disputar algo violentamente com
eles, pois dizem que o cachorro não terá a menor chance. Nisso talvez estejam certos, mas o que
acontecerá se o cachorro for mostrar o que aprendeu para os filhos do doutor Fortão ou para qualquer
outra pessoa não tão vigorosa e agressiva? 
Uma pessoa que grita com o seu cão ou bate nele é um péssimo líder, pois só consegue sua
posição por meio de ameaças e agressões. Cães que recebem esse tipo de tratamento adquirem seqüelas
graves que dificultam muito o adestramento e, às vezes, tornam-se perigosos ao redirecionar sua
agressividade para alguém  
28 
da casa que não consiga dominá-los. Um cão que é submetido com o uso de violência aprende que éassim que as regras são estabelecidas. Por isso, não devemos culpar nosso cão por sua agressividade 
quando é tratado violentamente, pois está simplesmente seguindo nosso exemplo. 
Existem inúmeras maneiras de nos tornarmos líderes de nossos cães sem praticar nenhuma 
violência. Qualquer tipo de agressão contra o animal atrapalha o condicionamento e altera negativamente 
seu padrão de comportamento. A violência não é uma maneira eficiente de se comunicar com seu cão ou 
de puni-lo. 
 
ANDE NA FRENTE 
Como o líder geralmente anda à frente, a maioria dos cães procura ocupar essa posição. Modificar 
esse comportamento já é uma boa maneira de controlar a escalada da hierarquia pelo seu cão. Mas como 
fazer isto? É muito fácil, simplesmente engane o seu cachorro algumas vezes, finja que vai para um lado, 
vire para o lado oposto e saia andando; quando ele ultrapassá-Io novamente, vire para o outro lado, e 
assim por diante. Não demorará muito para que ele desista de andar à frente e passe a prestar mais 
atenção a seus movimentos. Pronto, não doeu nada e, por incrível que pareça, esse cachorro já estará em 
melhores condições de ser educado e treinado. O mesmo cuidado deve ser tomado ao passar por portas ou 
portões: sempre conduza seu cão. Algumas pessoas ficam impressionadas com o fato de seu cão 
magicamente deixar de fazer xixi pela casa ou de parar de morder as visitas, simplesmente por terem exi-gido que ele esperasse que elas passassem em primeiro lugar. De mágica isso não tem nada. O fato é que, 
ao restaurar o domínio, automaticamente outros comportamentos foram alterados, como o da demarcação 
de território. 
29 
 
INVERTA A SITUAÇÃO 
Quando o seu cão latir ou pedir de alguma maneira que você o alimente, leve-o para passear ou 
qualquer outra coisa; se você o satisfizer imediatamente, estará obedecendo as ordens dele, e ele 
interpretará isso como uma prova de que ele é o líder do grupo. Por isso, não entenderá nada quando for 
corrigido ao demarcar o seu território, ou ao decidir quem entra ou não na sua casa. Não é preciso fazer 
seu cão passar fome, nem deixar de ir passear com ele para resolver esse problema. A situação é invertida 
simplesmente se comandarmos algo ao cachorro antes de fazer o que ele está esperando. Qualquer 
comando serve, mas para cachorros mais mandões é aconselhável algo como o comando "deita", pois um 
simples "senta" ou então "dá a pata" não se mostram suficientemente eficazes. O que fazer se ele não 
obedecer? Ignore-o completamente e não faça o que ele quer ou está esperando. Resultados surpreendentes podem ser obtidos com essa técnica. Mas é importantíssimo que não haja nenhum tipo de 
correção ou castigo caso o cachorro não o obedeça. Lembre-se de que o tom de voz ao dar o comando 
deve ser normal; não é necessário falar alto. A audição dos cães é muito superior à nossa e seu cachorro 
terá todo o interesse em obedecê-lo, caso contrário, além de não conseguir o que quer, será ignorado por 
seu querido dono. 
Alguns cães recusam-se a executar comandos, abrindo mão até de alimento como forma de testar a 
liderança. Mais cedo ou mais tarde, porém, eles se convencem de que você é o líder e de que a 
sobrevivência deles depende de você. 
30 
 
GANHE RESPEITO E DÊ BONS EXEMPLOS 
A questão da liderança é importantíssima para o treinamento. Ser um líder não é ;tão difícil, mas 
ser um ótimo líder demanda treinamento, conhecimento e atenção. Quanto mais respeito e mais carinho o 
seu cão sentir por você, mais fácil e mais prazeroso será o adestramento. Ele terá todos os motivos do 
mundo para querer obedecê-lo. 
Um líder perfeito só passa bons exemplos aos seus subordinados e não exige respeito - ganha-o. 
Infelizmente, boas intenções não bastam, portanto não aconselho que se brinque com a boca do 
cachorro ou se permita que ele a use para disputar algum objeto com você, fazendo cabo-de-guerra. Se 
você ou qualquer pessoa estiver do outro lado do brinquedo, embora o que se tenha em mente seja um 
divertimento, poderá estar incentivando o cão a utilizar a boca e a disputar fisicamente com quem estiver 
na outra extremidade. Quando o cachorro brinca de mordê-lo, adquire confiança e aprende a usar sua 
arma (boca) contra você. Quando brincamos de puxa-puxa, para o cachorro isso pode ser uma disputa de liderança, e ele a ganha cada vez que sai com o objeto na boca. Pode parecer inofensivo, mas, se ocorrer 
algum problema ou disputa na hierarquia, alguém poderá sair machucado. Se não estiver disposto a parar 
ou evitar essas brincadeiras, pelo menos tenha certeza de que será você quem sairá vencedor e não seu ca-
chorro. Devemos ganhar, sempre, qualquer disputa física. 
E por último, quando seu cão se comportar ou mostrar submissão, elogie-o. Assim, além de 
mostrar que você é o líder, dará a ele o prêmio de receber atenção ao deixar que você ocupe essa posição. 
31 
 
APLICAÇÃO DA LEI DA MATILHA: 
 
1. Seja o líder da matilha. 
 
2. Ganhe respeito e não o exija. 
 
3. Faça o seu cão merecer o que quer e o quem precisa: peça-lhe para executar algum 
comando simples antes de receber comida, sair para passear, ou quando quiser que você abra a porta 
para ele, etc. 
 
4. Caminhe na frente do seu cachorro e passe sempre antes dele por portas e portões. 
 
5. Nunca grite ou bata em seu cachorro. 
 
6. Jamais deixe que ele ganhe qualquer disputa física. Se você tiver que segurá-lo, qualquer 
não o solte se ele espernear ou mordê-lo. Só o solte quando você decidir, e de preferência quando ele 
parar de espernear. 
 
7. Não deixe que ele o morda, nem de brincadeira, e evite as disputas de cabo-de-guerra. 
 
8. Não o machuque e nem o enforque. 
 
9. Elogie a submissão dele a você e aos demais membros de sua família. 
32 
AMOR INCONDICIONAL 
 
"A inteligência da natureza opera pela lei do mínimo esforço, sem ansiedade, com harmonia e amor." 
Deepak Chopra 
 
Quando utilizamos a força da harmonia, da alegria e do amor atingimos resultados surpreendentes. 
 
Neste capítulo você vai aprender: 
 
¾  Que o amor e o adestramento caminham juntos. 
¾  Que o comportamento do cão depende da coerência do adestramento. 
¾  Que se deve punir a atitude errada e não o cão. 
¾  A não deixar o cão associar a punição à pessoa. 
33 
 
AMOR E ENTENDIMENTO 
Se realmente amamos nossos cães, devemos procurar entendê-los. Se nós não tivermos essa 
capacidade, como esperar que eles nos entendam se possuem apenas uma fração de nossa inteligência? 
Muitos conflitos ocorrem entre humanos e cachorros por simples desentendimento. Quanto mais 
estudarmos os cães e seu meio de comunicação, melhor será nosso entendimento e maior o nosso amor 
por eles. Quanto melhor for nossa comunicação, maior será a harmonia e menor o estresse dessa relação. 
Nós devemos evitar a qualquer custo decepcionar o nosso cão afetivamente. Estudos mostraram 
que, quanto mais o seu cão amá-lo, melhor e mais rápido será seu condicionamento. Quanto maior a 
confiança e o amor pelo seu dono, menor será a sua ansiedade e maior será a vontade de fazer certo! 

 

COMPORTAMENTO 
Quem já teve a oportunidade de observar o comportamento do cão em relação a alguém que 
utilizou essas técnicas fica impressionado com a disposição que esses animais apresentam para obedecer. 
Quando as coisas fazem sentido para o seu cão, a vontade dele de pensar e de vencer desafios vai 
crescendo, e é a partir daí que o adestramento deslancha e o cão passa a realmente a adorar o treinamento. 
Os cães se sentem muito confusos quando são reprimidos ao agir de acordo com um tipo de 
informação que receberam antes. Se levam broncas sem realmente entender a razão disso, tornam-se cães 
ansiosos e sem vontade de enfrentar o desafio que representa acertar. 
Devemos ter um cuidado enorme para não ensinarmos ao filhote coisas que não queremos que 
faça quando crescer (ficar adulto). Para o cão é muito confuso e estressante ser reprimido por apresentar 
um comportamento que lhe foi ensinado, durante meses, pelo 
34 
próprio dono. Ao levantarmos um filhote, colocando-o no sofá e acariciando-o, nós o estamos treinando 
para subir no sofá e, quando ele ficar maior, talvez não queiramos mais que ele faça isso. Essa mudança 
brusca poderá atrapalhar a relação que temos com nosso cão. 
 
PUNIÇÃO 
Você deve estar questionando agora esse tal de amor incondicional, talvez esteja dizendo que é 
bonito na teoria, mas na prática é necessário reprimir o cão. É muito complicado para nós imaginar que 
seja possível deixar de lado as broncas durante o treinamento do cão ou que elas sejam negativas para seu 
adestramento. De fato, não podemos deixar de controlar e reprimir todas as atitudes negativas dos cães. A 
diferença é que faremos isto inteligentemente, levando em conta a psicologia canina. Para cada comando 
e para cada problema de comportamento indicaremos a melhor forma de correção sem que a relação com seu cachorro corra risco de se deteriorar, o que poderia acontecer com reprimendas desnecessárias. 
Devemos reprimir a atitude e não o cão. Isto significa que, assim que o cachorro desistir da atitude 
indesejável, 
35 
mesmo quando provocado, o amor e o carinho devem ser os mesmos de antes, como se o erro nunca 
tivesse acontecido. Independentemente do que ele faça, você deverá mostrar que o ama. Como dissemos 
anteriormente, quanto mais o cachorro amá-Io, mais fácil será seu treinamento, e não ganhamos pontos 
brigando ou repreendendo nosso cão. 
Muitas punições necessárias podem ser disfarçadas, para que o cão não as relacione com você. Elejamais entenderá que tanto o ato de aceitar um pedaço de carne atirado por um estranho como o de atra-
vessar a rua para pegar uma bola podem matá-lo. Por isso, seria incompreensível para o seu cão se você 
ficasse bravo com ele por ter feito essas coisas. Algumas vezes é muito difícil não deixar o cão perceber 
que você está por trás da punição, mas iremos ensinar as melhores maneiras de punir seu cão, sem que ele 
perceba que é você que o está fazendo. 
As broncas não são negativas apenas pelo fato de que se perdem pontos na relação com o 
cachorro, mas também porque muitas vezes o cachorro está querendo atenção, e mesmo uma atenção 
negativa pode ser vantajosa para ele. Quando isto acontece, e acredite, acontece o tempo todo, ao invés de 
o estarmos educando, estamos deseducando. Se saímos gritando atrás de um cão quando ele faz xixi pela 
casa, teremos dado a ele a atenção desejada. Da próxima vez que esse cão quiser atenção, ele repetirá o 
ato e será bem-sucedido novamente. 
As melhores correções são aquelas feitas de tal forma que seu cão acredite que foram aplicadas 
por "Deus" e nas quais você não teve participação nenhuma. 
Atenção: Toda e qualquer punição deve ter o objetivo de inibir o ato e nunca o de ser represália ou 
vingança! Assim que se atinge o objetivo, a punição deve cessar como se jamais tivesse existido. 
36 
 
TREINAMENTO SEM TRAUMAS 
Cada comando e cada aprendizado carregam consigo muitos significados que ficarão como 
lembranças no subconsciente. Do mesmo jeito que um professor pode nos fazer adorar ou odiar alguma 
matéria, o adestrador pode fazer o cão adorar ou odiar o comando. É claro que nosso objetivo é fazer com 
que o cão responda r nossos comandos o mais prazerosamente possível, e para isto devemos tomar uma  série de cuidados desde a primeira lição. 
Qualquer fator negativo durante o aprendizado contribuirá para uma resposta menos eficiente e 
para a má vontade do seu cão em efetuar o comando, já que subconscientemente ele vai relacionar o 
comando com os fatores do aprendizado. 
Quando Dennis Fetko, na minha opinião um dos melhores e mais eficientes adestradores, veio 
para o Brasil no final de 1997, durante sua preleção pediu para a platéia um cachorro totalmente 
destreinado e o ensinou em menos de cinco minutos a andar junto com ele. A platéia ficou impressionada, 
pois o cão, além de andar junto, parava, corria e andava devagar, acompanhando perfeitamente o 
condutor. Dennis durante os cinco minutos que ficou com o cachorro não o corrigiu nenhuma vez, não 
gritou "junto" e nem deu tranco na coleira; para dizer a verdade, mal olhou para o cachorro. Dennis 
variava o comprimento da guia constantemente e andava como uma barata tonta. Em pouco tempo o 
cachorro percebeu que a única maneira de evitar os puxões da coleira (mais parecida com uma fita) era 
observar atentamente Dennis e caminhar exatamente na mesma velocidade. 
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COLOCANDO EM PRÁTICA A LEI DO AMOR INCONDICIONAL 
1. Nunca reprima o cachorro e sim a atitude, isto quer dizer que, assim que ele deixar de 
come ter o erro, mesmo quando provocado, deverá receber todas as demonstrações de amor e carinho, 
como se ele nunca tivesse errado antes. 2. Planeje as punições para que seu cão não as relacione com você. Por exemplo, coloque 
alguma substância amarga no pé do sofá para que o gosto ruim seja a punição, e não uma 
chinelada aplicada por você. 
3. Evite que seu cão relacione qualquer coisa desagradável com o aprendizado, como, por 
exemplo, apertar a traseira ou sufocá-Lo com o enforcador para que ele se sente. Além de desagradáveis, 
essas atitudes estão diretamente relacionadas a você. 
4. Aprenda a ignorar seu cão como forma de punição. É uma ótima maneira de fazer seu cão 
valorizar ainda mais sua presença e uma atitude muito eficiente para controlar o comportamento. 
5.  Atenção: Amor incondicional não significa mimar seu animal ou garantir-lhe direitos 
iguais aos seus. Cães mimados não respeitam o dono, o que também ocorre com os animais que têm os 
mesmos direitos que os outros membros da casa, como dormir na sua cama ou na de seus filhos, etc. 
38 
 
A TROCA 
O condicionamento opera por meio de trocas positivas do ponto de vista do condicionado e não do condicionador. 
Devemos desenvolver a capacidade de observar o que é realmente para o nosso cão uma troca 
positiva e o que não é, em cada situação. Só assim poderemos condicioná-lo eficazmente. 
Neste capítulo você vai aprender: 
¾  Que a recompensa é fundamental para o sucesso do treinamento. 
¾  A escolher os objetos de troca. 
¾  A valorizar as recompensas. ¾  Quais as alternativas quando não tiver nada a oferecer 
¾  A não alternar recompensas em retribuições negativas diante de situações semelhantes. 
39 
 
TIPOS DE TROCA 
Devemos ter em mente que, se quisermos modificar ou controlar o comportamento do animal 
através do treino, será sempre necessário haver uma troca interessante para o cão. Quando digo 
interessante, é algo que valha a pena para o seu cão, justificando a mudança de atitude pelo prêmio ou re-
compensa. 
Você deve estar se perguntando se, criado o hábito de receber algo em troca, o seu cão só 
obedecerá quando você tiver algo para lhe dar. É mais ou menos a esse ponto que quero chegar: um con-
dicionamento não é possível se não houver um estímulo significativo - positivo ou negativo -, isto 
significa que o cão aprenderá na base de troca e se comportará de acordo com o esperado na expectativa 
da troca, mesmo que às vezes ela não se dê. 
Muitas pessoas acreditam que seu cachorro as obedecerá simplesmente em troca de um afago, ou 
mesmo de uma palavra carinhosa. Há cães para quem esse tipo de recompensa é suficiente, seja por 
valorizarem muito seu dono ou por sua própria índole, mas a verdade é que são muito mais freqüentes as 
situações de donos que imaginam que um carinho será suficiente, quando isso, naquele caso, não é 
verdade. 
 
OBJETOS de TROCA 
Podemos utilizar como reforço inúmeros artifícios; geralmente os melhores são os que já são 
40 
considerados distração para o seu cão, como brinquedos, passeios, andar de carro, etc. Uma boa troca para um cachorro que puxa a coleira para ir passear de carro seria, quando ele obe-
decesse o comando de deitar e esperar, dar-lhe a recompensa do passeio de carro. 
Alguns reforços funcionam bem em certas condições, como, por exemplo, no espaço do seu 
quintal, mas não funcionam tão bem quando o seu cão está solto no parque. Nesse caso, temos duas 
opções: uma, a troca do reforço por alguma coisa ainda mais interessante para o cão; outra, não soltá-lo 
durante as primeiras aulas do treinamento para diminuir tanto a ansiedade do cachorro quanto a 
possibilidade de ele se distrair. 
Petiscos costumam ser o reforço universal, já que são poucos os cães que não adoram esse tipo de 
recompensa. 
Muitas pessoas são contra os petiscos como reforço para o treino, assim como qualquer outro tipo 
de comida, pois apresentam algumas desvantagens: 
 
¾  Só funcionam bem quando o cão está com fome. 
¾  Você será obrigado a carregar petiscos grande parte do tempo. 
¾  Deve-se tomar cuidado para não desbalancear a dieta do animal. 
 
Eu prefiro não utilizar petiscos mas, nos casos de cães que não adoram algum objeto em especial 
ou não se satisfazem somente com um afago, petiscos são sempre uma boa saída. 
Os objetos, como recompensa, possuem várias vantagens sobre a comida, já que não 
desbalanceiam a dieta e não nos obrigam a estar sempre carregando um saquinho de petiscos, mas, por 
outro lado, assim que damos o objeto para o cão, temos que pegá-lo de volta, e isso às vezes é 
complicado, pois o cão pode começar 41 
brincar de cabo-de-guerra ou, ainda, sair correndo para atrair sua atenção. cabo-de-guerra. Se o objeto for 
a recompensa, como poderemos condicionar o cachorro a largá-lo? Primeiramente devemos ter certeza de que o cão ficará próximo o bastante para conseguirmos recuperar o objeto. Caso haja a possibilidade de o 
cão fugir (brincar de pega-pega), amarre-o antes de dar-lhe o objeto e puxe a corda em sua direção depois 
da entrega, até que o objeto fique ao alcance de sua mão. Agarre então o objeto e rapidamente ordene ao 
cão que o solte, enquanto abre a boca dele. Jamais corra atrás do seu cão se ele estiver fugindo com o 
objeto, pois é exatamente o que ele quer, e assim o estaremos recompensando pela desobediência! Fica 
assim evidente que cada recompensa tem seus defeitos e qualidades, mas o importante é utilizar um 
reforço que valha bastante para seu cão, e aí a própria vontade de aprender valorizará cada vez mais sua 
atenção e seu carinho. 
 
DESAFIOS E RECOMPENSAS 
Conforme o adestramento for evoluindo, o cão começará a encarar como um desafio conseguir a 
recompensa e, a partir daí, o prêmio não terá tanto valor em si mesmo, passando a significar para seu cão 
que ele agiu corretamente. Quando se atinge esse ponto, qualquer objeto ou mesmo um afago têm um 
enorme valor. É interessantíssimo observar um cão se esfalfando para ganhar uma bola e, assim que a 
ganha, ele a devolve ao treinador de livre e, espontânea vontade e se prepara com todo o entusiasmo para 
efetuar um novo comando. Existem vários truques e dicas para se atingir esse ponto, e falarei mais sobre a 
vontade de vencer o desafio na parte que trata de técnicas de adestramento. Conforme o treinamento feito 
na base da troca 
42 
for evoluindo, mais tempo o seu cão será capaz de esperar para receber o reforço e executará os comandos 
mais rápida e eficientemente. 
O VALOR DA TROCA 
Não devemos insistir ou obrigar nosso cachorro a obedecer em troca de qualquer coisa. Assim que 
nos dermos conta de que num determinado momento aquela troca não vale a pena para o cão, não 
devemos insistir e, sim, procurar uma outra estratégia. Se insistirmos, estaremos diminuindo o valor do 
objeto no conceito do cão e retardando o treinamento. Por exemplo, um cão que esteja brincando com 
outros na maior excitação pára e responde ao seu chamado imediatamente; quando chega junto de você 
ganha apenas um biscoitinho de que ele nem gosta muito - o cachorro acaba de aprender uma lição: 
cometeu um erro, não deveria ter vindo dessa vez, pois perdeu vinte segundos de uma superbrincadeira 
em troca de um biscoitinho sem graça! É esse o ponto que deve sempre ter em mente: eles estão sempre 
aprendendo, lembra-se? Portanto, às vezes, o resultado de uma troca não-satisfatória pode ser um 
aprendizado negativo. 
 
COMO VALORIZAR UM OBJETO DE TROCA 
Existem técnicas para aumentar o valor do objeto/recompensa para o cão. O ideal seria ter uma 
recompensa tão valiosa para o animal que qualquer outro estímulo não o motivaria mais do que a 
possibilidade de ganhar o objeto. É possível atingir esse ponto, e nem é tão difícil assim! Uma bola, por 
exemplo, já costuma ter um determinado valor para seu cão, mas, se tiver a capacidade de tornar a pessoa 
ou o cachorro que estiver com ela o centro das atenções, terá ainda mais valor. Para isso, guarde uma bola 
(ou um determinado objeto) e, sempre que achar adequado, ofereça-a para o cachorro 
43 
com o maior entusiasmo; se ele a apanhar, faça carinho nele e demonstre atenção, brincando com o cão 
até que ele solte a bola; assim que isso acontecer, apanhe-a rapidamente e brinque você com ela. Caso 
haja outros cachorros que gostem da bola (objeto), ela se tornará mais atraente para seu cão, caso 
contrário, brinque você com ela, dizendo-lhe coisas, como se estivesse conversando com ela, de certa ma-neira ignorando seu cão até que ele comece a prestar atenção à bola. Após essa brincadeira, guarde o 
objeto para que ele não perca a graça, já que ele deve significar sempre alegria e divertimento. Se a téc-
nica for feita corretamente, logo a bola (objeto) terá um grande valor para seu cão, e ele vai obedecê-lo 
com o maior prazer para poder recebê-la. 
 
ALTERNATIVAS PARA A TROCA 
E o que se pode fazer quando quisermos que o cachorro venha até nós mas não tivermos nenhuma 
troca a altura para oferecer? É simples. Durante o começo do aprendizado evite desapontar o seu cachorro 
e aja inteligentemente. Atraia a atenção dele sem que ele perceba que você está querendo fazer isso. Uma 
das melhores maneiras é sair correndo em uma direção e fingir que não está ligando a mínima para o seu cachorro. Dificilmente ele deixará de segui-lo e de se aproximar de você depois de alguns segundos. 
Cuidado, porque esse truque não funciona quando empregado com muita freqüência! Mais cedo ou mais 
tarde o cachorro entende o truque e passa a ser um divertimento para ele enganá-lo ou ignorá-lo. Um 
outro caso seria a necessidade de pôr o seu cachorro num lugar de que ele não goste ou levá-lo para fazer 
alguma coisa que ele detesta, por exemplo: colocá-lo dentro do canil, levá-lo à cozinha para 
44 
tomar remédio, ao jardim para tomar banho, etc. Jamais o chame! Simplesmente vá até onde ele estiver e 
pegue-o, não lhe dê chance de escapar, e assim sempre que pressentir que algo de "ruim" está para 
acontecer ele vai se conformar e não vai tentar fugir, pois, se tentar, sabe que vai fracassar. O importante 
é não trocar uma obediência ao seu comando por uma coisa desagradável. 
 
RECOMPENSA NEGATIVA 
É impressionante o número de pessoas que "treinam" seus cachorros para que não atendam 
quando são chamados! Elas geralmente me fazem o mesmo tipo de observação quando vou instruí Ias a 
esse respeito: "Meu cachorro tem de vir na hora que eu quero, e não quando tiver uma bola ou um 
biscoitinho à sua espera! Ele vai ficar interesseiro". 
Vamos imaginar a situação, em primeiro lugar, do ponto de vista do cachorro: "Minha dona me 
solta no parque que eu adoro, mas se eu for na direção dela quando ela disser 'aqui' ou 'vem', ou deixar 
que ela chegue perto enquanto fala, provavelmente levarei uma bronca e até poderei apanhar. O problema 
é que eu fico confuso porque, em casa, quando ela fala 'aqui' e vou até ela, está tudo certo". 
Agora, do ponto de vista da dona: ela solta o  cachorro, chama-o  de volta  e ele não  vem 
imediatamente; daí ela começa a berrar e, assim que pega o cachorro, dá-lhe uma bronca ou bate nele. E ainda acha que ele aprendeu uma lição. É o tipo de pessoa que optou por um treinamento que faz sentido 
para ela mas não para seu cão. Eu sinto pena só de imaginar a confusão na cabeça desse pobre cachorro! 
Existem também os animais "malandros", são os cães que entendem o seu chamado, mas  também 
sabem que o que você tem a oferecer é uma corrente para prendê-los, marcando o final da brincadeira, e nada 
mais! Mas, acredite que, se seu cão é malandro, as chances de você tê-lo ensinado a ser assim são enormes. 
Um 
45 
cão adestrado corretamente, isto é, com o emprego das quatro leis derivadas dos conceitos fundamentais, 
jamais se torna malandro, a não  ser que você considere malandragem  o cachorro  fazer exatamente o que 
você quer que ele faça! 
46 
 
APLICAÇÃO DA LEI DA TROCA 
 
1. Sim, todos nós agimos por amor, respeito e interesse (troca)! 
2. A troca deve sempre valer a pena para seu cão. 
3. Se o seu cão não mostrar interesse pela troca, suspenda imediatamente o adestramento e 
modifique as condições para introduzir alguma coisa mais valiosa para ele. 
4. Quando não tiver coisa alguma para trocar, simplesmente não ordene nada! Se você 
precisar que ele vá a algum lugar ou assuma uma determinada posição, leve-o ao local ou faça o que deve 
ser feito, sem lhe dar a opção de deixar de ou de fazer. 
5. Algumas trocas obviamente vantajosas para o cão em casa muitas vezes perdem seu 
atrativo quando ele estiver solto ou passeando no parque. 6. O amor e a vontade de obedecer devem ser conquistados aos poucos. Isto não pode ser 
imposto! 
7. É importantíssimo que o cão sempre obedeça aos seus comandos, independentemente de 
você achar que o está subornando e que ele o está atendendo movido por interesse! 
8. Não devemos esperar que todos os cães se satisfaçam apenas com carinho. 
47 
 
A ATENÇÃO 
Quanto maior a atenção, melhor e mais rápido será o aprendizado. 
Quanto mais seu cão estiver atento a você, mais depressa executará os comandos e mais rapi-
damente aprenderá novos condicionamentos. 
 
Neste capítulo você vai aprender: 
¾  Que o grau de atenção depende das técnicas de aprendizado. 
¾  Como reforçar a atenção para você ou para um objeto. 
¾  A ignorar seu cão como forma de adestramento. 
¾  A usar a atenção como um estímulo. 
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A ATENÇÃO: CONSEQÜÊNCIA E CAUSA 
A atenção que seu cão prestará a você será resultado das outras técnicas descritas anteriormente. 
Ao mesmo tempo que é uma conseqüência e um indicativo da boa aplicação das demais técnicas, a 
atenção também é causa, provocando um aproveitamento melhor das atividades. Como acontece com nós 
mesmos, quanto mais prestarmos atenção, maiores nossas chances de obter sucesso na comunicação. Um 
bom exemplo disso são os cães que participam de provas: eles prestam tanta atenção em seus condutores 
que nos dão a impressão de que aprenderam a ler em seus lábios. 
Imagine por um instante que você é um cão cujo dono, um humano justo, além de entendê-lo, 
ama-o independentemente do que você faça e, toda vez em que lhe pede alguma coisa, desde que você a 
execute, existe sempre a chance de ele lhe dar em troca o que mais estava desejando. Dá para não prestar 
atenção em alguém com essas qualidades? E se essa pessoa, além disso tudo, ainda tiver a mania de falar 
baixo, será ainda mais importante prestar o máximo de atenção para não perder nada! Os cães 
provavelmente pensam dessa forma em relação aos seus donos. 
 
REFORCE A ATENÇÃO 
Existem vários truques para aumentar o grau de atenção do seu cão. De vez em quando falar baixo é uma delas, outra maneira é ter um comportamento imprevisível; por exemplo, ao passear ou andar pela 
casa, mude de direção subitamente, procurando enganar o cão - aqueles que gostam de ir à frente logo vão 
começar a prestar mais atenção, já que podem ser enganados quanto ao rumo que seu mestre irá seguir. 
Também podemos elogiar o nosso cão quando ele estiver prestando atenção em nós, ou ignorá-lo quando 
não estiver. 
Uma das maneiras para aumentar o grau de atenção do cão é, ao fornecer o reforço (comida, bola ou  
50 
carinho), fazê-lo de maneira entusiástica e rápida. Por exemplo, se a intenção era fazer o cão sentar e ele 
fizer isso, deve-se imediatamente jogar a bola para ele, porque, caso o cachorro não esteja prestando 
atenção, é provável que leve um susto ou não consiga pegá-la, o que fará com que fique mais atento da 
próxima vez. 
 
O CACHORRO COMO FOCO DA ATENÇÃO 
Como nós, os cães também querem que prestemos atenção neles. Quase todos os cães adoram chamar a 
atenção, principalmente das pessoas de sua matilha, por isso repetem as coisas que provocam seu dono. 
Mesmo a atenção negativa (bronca) muitas vezes aumenta a freqüência com que o cão realiza um 
determinado ato. Os cães interpretam nossa disciplina (broncas) como interação, e provavelmente irão 
repetir o ato para poder interagir novamente. Animais que vivem em grupos dependem um do outro, 
portanto a interação é algo indispensável, fundamental.  
Ao evitar chamar a atenção ("dar atenção") do seu cachorro quando ele estiver fazendo algo de errado, 
você estará aumentando o amor dele por você, além e estar empregando uma ótima técnica que produz resultados muito mais eficientes. Neste livro daremos várias dicas de como corrigir manias desagradáveis 
de nossos cães sem a necessidade de broncas ou de violência. 
 
O AVISO DA ATENÇÃO 
Sei que é difícil imaginar que o cachorro valoriza tanto a nossa atenção, mas pode acreditar que 
uma das piores coisas para o, seu cão é ser ignorado. Essa é uma 
51 
técnica valiosa, e, quanto mais prática tivermos em utilizá-la para o adestramento, melhor será o 
resultado. 
Saber ignorar o nosso cão é uma arte, principalmente devido às suas habilidades naturais para 
chamar a nossa atenção. Alguns começam a fazer gracinhas, e é quase impossível não cair na gargalhada; outros fazem caras desoladas, que quebram nosso coração. Independentemente da técnica utilizada pelo 
seu cão, é importante não cair no truque, pois o condicionamento irá por água abaixo, a não ser que o 
objetivo seja treinar o seu cão a fazer gracinhas ou cara de coitado. 
 
A ATENÇÃO: ESTÍMULO E NÃO LIMITAÇÃO 
A atenção tem o poder de estimular determinadas partes do cérebro e inibir outras. Quando um 
gato passa na frente do seu cachorro, ele fica tão interessado no gato (prestando atenção) que talvez não o 
obedeça. Isto não deve deixá-lo desanimado, pelo contrário. Num estágio avançado da atenção a você, ele 
irá valorizar muito a troca que lhe oferecer, seja ela qual for, pois o universo do cão estará girando em 
torno de você. A atenção é tanta, que as coisas em volta perdem espaço nos sentidos do seu cão e 
conseqüentemente perdem valor. Nessa fase o cão gosta tanto de brincar (adivinhar o que o dono quer), 
que impressiona quem estiver assistindo o adestramento. 
Adestrar um cão dessa forma não significa que ele vai se tornar um robô e que perderá toda a 
naturalidade, mas sim que aprenderá a se comunicar de forma muito mais eficiente com você e terá prazer 
em aprender. Quando você não exigir sua atenção, ele será um cão normal, tão natural quanto os outros, 
com uma exceção: terá um superdono! 
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APLICAÇÃO DA LEI DA ATENÇÃO 
 
1. Considere-a uma conseqüência da aplicação correta das demais técnicas. 
2. Lembre-se de que ela é um fator importantíssimo para acelerar o aprendizado. 
3. Só dê atenção ao seu cão nas situações positivas e ignore-o quando ele agir errado. 4. Estimule-o a prestar mais atenção em você. Seja carinhoso ou recompense-o de alguma 
maneira, simplesmente por ele ficar observando você. 
5. Varie a velocidade da entrega do reforço; o cão, não sabendo o momento exato em que 
receberá a recompensa, irá prestar mais atenção. 
6. Engane-o sobre a direção e o sentido em que vai caminhar. Assim que ele ultrapassá-lo, o 
sentido em mude de direção, e aos poucos o cão irá aprender que a única maneira de se sair bem nos 
passeios ou nos movimentos dentro de casa será observando você. Procure agir imprevisivelmente. 
7. Fale baixo e com animação, isso vai obrigá-lo a prestar atenção em você. 
 
SEGUNDA PARTE: 
AS FASES DO DESENVOLVIMENTO CEREBRAL 
 
Nesta parte você vai aprender: 
 
¾  O que se deve fazer para auxiliar no desenvolvimento dos sentidos do filhote. 
¾  Qual é a melhor idade para socializar seu cão. 
¾  Aquilo que pode torná-lo agressivo. 
¾  A idade com que o cão pode começar a receber educação e adestramento. 
¾  O que pode ser feito para que o cão se torne um animal equilibrado. 
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PERÍODO INICIAL - DO NASCIMENTO ATÉ O 50ª DIA 
Os filhotes devem ficar com a mãe e os irmãos neste período, pois, a partir do 21° dia até o 50Q dia, eles 
aprendem a lidar com outros cães, seja brincando ou brigando, e a aceitar a disciplina imposta pela mãe. 
Os animais que são removidos da ninhada antes do fim deste estágio têm mais dificuldade para se 
relacionar com outros cães, são mais agressivos, apresentam problemas para cruzar e respondem pouco ao 
treinamento. 
Nesta fase podemos auxiliar no desenvolvimento dos órgãos sensoriais. Massageá-los, deixar o 
rádio ligado em baixo volume ou, ainda, não deixá-los totalmente no escuro, são providências que 
estimulam o desenvolvimento do sistema nervoso e intensificam a relação entre as funções cerebrais e as 
atividades sensoriais. 
Quando não são garantidas as condições necessárias para o desenvolvimento cerebral, pode ocorrer, por exemplo, o problema conhecido como nerve-blind, explicado pelo doutor Joel Dehasse e pela 
doutora Colette Buyser, em seu livro Comportamento e Educação do Cão. Eles afirmam que, se os 
filhotes forem criados na escuridão até a maturação do nervo óptico, ficarão cegos. 
Os sentidos dos cães são extremamente aguçados, por isso devemos tomar alguns cuidados para 
que se desenvolvam corretamente. 
56 
 
PERÍODO DE SOCIALIZAÇÃO - DO 50ª AO 85ª DIA 
Ao atingir esta fase, o cérebro do filhote já está neurologicamente completo e ele é capaz de 
aprender tanto quanto um cachorro adulto aprende. É muito importante, durante este período, apresentar 
tudo o que você puder ao cãozinho. Por exemplo: aspirador de pó, carros, sons da rua, programas de 
televisão, pessoas de todas as etnias, outros animais, etc. Mas, nessas ocasiões, não se esqueça das 
recomendações do seu veterinário sobre os cuidados que devem ser tomados para que o animalzinho não 
corra o risco de contrair doenças; procure não deixá-lo entrar em contato com animais não-vacinados. 
Por que devemos mostrar tudo o que for possível ao cãozinho? A resposta é simples: porque é a 
melhor fase para ele socializar-se. Passado este período, o cérebro do cão modifica-se, e qualquer 
socialização será muito mais difícil e demorada. Para entendermos melhor o porquê disto, devemos 
imaginar o cão vivendo numa matilha: até os três meses, os filhotes só entram em contato com outros cães 
do grupo e animais que não oferecem perigo para eles, pois os membros da matilha impedem a 
aproximação de animais perigosos 
57 
para os cãezinhos; mas, depois dos três meses, é importante que os filhotes já percebam sozinhos a 
diferença entre "amigos" e "inimigos", sejam eles seres vivos ou inanimados, e não queiram socializar-se com qualquer coisa, já que nesta idade começam a querer explorar o território mais longe da mãe e a ter 
contato com presas e predadores naturais. 
Cães novos mantidos isolados do contato social com o homem e outros animais apresentam uma 
síndrome caracterizada por extrema redução tanto da atividade em geral quanto da procura por esses mes-
mos contatos. Os filhotes permanecem imaturos e insociáveis e desenvolvem comportamentos anormais e 
movimentos estereotipados. O cão treme, corre atrás de seu rabo, torna-se agressivo por sentir medo, além 
de mostrar deficiência na aprendizagem e apresentar reações vagarosas a novos estímulos. 
Estimulações variadas e progressivas na fase da socialização geram animais física e psiquicamente su-
periores, segundo o doutor Joel Dehasse e a doutora Colette Buyser. 
A primeira fase do medo, que atinge seu auge entre a 8ª e a 11ª semana, encaixa-se neste período, por isso 
procure não expor seu filhote a experiências assustadoras, porque é uma fase de extrema vulnerabilidade, 
e qualquer ocorrência que o atemorize causará um medo permanente da coisa ou da situação envolvida. 
Alguns veterinários recomendam dar calman- 
 
58 
te para filhotes desta idade quando houver tempestades ou em dias de festa ou jogos (devido aos fogos de 
artifício), para que ele não fiquem traumatizados com os estampidos. Só as pessoas que têm cães que 
sofrem com o terror de trovão e fogos é que sabem do que eles são capazes de fazer nessas ocasiões. Uma 
vez fui chamado para auxiliar a resolver o problema de um Mastiff que atravessou uma janela de vidro, 
cortando-se todo, só por causa de um trovão! 
Se o cãozinho apresentar hérnia ou algum outro problema que exija uma intervenção cirúrgica, 
caso não seja possível adiá-la, procure um veterinário que seja extremamente habilidoso tanto no trato 
físico quanto no emocional. 
 
PERÍODO DE DOMINÂNCIA - DA 12ª À 16ª SEMANA Nesta fase os filhotes começam a testar os outros membros da matilha para saber quem é o líder. É 
importante mostrar ao cãozinho, carinhosamente, que você é o líder. Ele irá testá-lo, na maioria das vezes, 
por meio de brincadeiras. Evite brincar de cabo-de-guerra com o filhote ou ficar puxando algo que ele 
tenha na boca; e também não permita que seu cachorro o morda, mesmo que seja de brincadeira. 
Qualquer tipo de atividade violenta, mesmo que lúdica, é desaconselhável, principalmente nesta fase. 
Ensine ao cão comandos simples e exija-os em troca de comida, atenção ou qualquer outra recompensa - 
esse é um processo que ajuda incrivelmente a estabelecer uma hierarquia correta. 
Segundo Clarence Pfaffenberger, o temperamento de seu cachorro no final desta fase se 
estabilizará, e ele provavelmente manterá suas características para o resto da vida. 
59 
 
PERÍODO DE INDEPENDÊNCIA - DO 4° AO 8° MÊS 
É assim chamado porque abrange o período em que o cão começa a querer se mostrar 
independente e dono do seu focinho. Mantenha o controle do seu cão durante esta fase para que ele não se 
acostume a ignorá-lo. Continue adestrando-o e procure fazer com que ele o obedeça para ser alimentado, 
para passear, etc. Nesta fase é aconselhável que você mantenha seu cão numa guia longa quando 
estiverem passeando em parques e jardins, para que ele não aprenda a ir para o lado oposto quando você 
chamá-lo. 
Com início no 6º mês e prolongando-se até o 14º, invadindo portanto o período da adolescência, 
ocorre a segunda fase do medo. Não é tão preocupante quanto a primeira fase, mas você deve continuar 
aumentando a autoconfiança de seu cão através do adestramento. Ele demonstrará medo de coisas novas 
ou mesmo de situações fami- liares. Simplesmente evite traumas, e o medo logo irá desaparecer. 
PERÍODO DA ADOLESCÊNCIA ATÉ A MATURIDADE - DE 1 A 4 ANOS 
No momento em que seu cão alcança a maturidade sexual, o que ocorre antes nas raças menores e,
mais tarde, nas raças maiores, ele testa novamente o "poder" do líder da matilha. 
Mais do que nunca é importante não deixar o cão ganhar nenhuma disputa que envolva
agressividade ou contato físico. 
Embora muitos cães sintam-se confortáveis sem ocupar a posição de liderança da matilha, outros
tentam dominar seu dono mostrando sinais de agressividade. 
60 
Não se assuste, este é um comportamento normal, embora deva ser cuidadosamente inibido. 
Para que seu cão volte a aceitar sua posição na hierarquia, continue o treino e jamais se mostre
atemorizado. Todo sinal de agressividade deve fracassar; ou seja, não se afaste da vasilha de ração do seu
cachorro se ele rosnar; não desista de lhe dar banho caso ele morda a sua mão, etc. Se sentir que seu
cachorro o está dominando com demonstrações de agressividade e que você não conseguirá reverter a
situação, procure imediatamente um profissional competente e peça-lhe ajuda. 
61 
 
APLICAÇÃO PRÁTICA 
1. No período inicial, manipule os filhotes todos os dias, vire-os de ponta-cabeça, não deixe 
de acariciá-los, etc. (para que desenvolvam o sentido de equilíbrio). 
2. Introduza estímulos sonoros no dia-a-dia dos cãezinhos, deixando-os ouvir rádio, batendo 
palmas, etc., e também visuais, como espelhos e lâmpadas. 
3. Coloque um carpete áspero no lugar em que os filhotes estiverem aninhados, para que 
desenvolvam mais rapidamente o sistema locomotor. 4. No período da socialização, para que ela seja bem feita, precisamos acostumar o 
cachorrinho com novos barulhos, pessoas, animais, cheiros, etc., sempre tomando muito cuidado para que 
ele não se assuste ou se machuque, pois grande parte da fase de socialização coincide com a primeira 
fase do medo, cujo pico é entre a 8ª e a 11ª semana. 
5. Cuide também, ao socializá-lo, para que ele não se exponha ao contato com animais não-
vacinados. 
6. No período da dominância, reforce carinhosamente sua posição de líder, pois seu cãozinho 
irá testá-lo. 
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7. Dos 4 aos 8 meses, use uma guia longa quando for passear com seu cão, porque ele dará mostras de independência, dirigindo-se para o lado oposto quando você chamá-lo. 
8. No período que compreende a adolescência e chega à maturidade, não permita que seu cão 
ganhe qualquer disputa em que haja contato físico com qualquer pessoa. 
9. Não se assuste se seu cão adolescente apresentar sinais de agressividade em relação a você, 
mas controle a situação com cuidado para que não se torne um hábito. 
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TERCEIRA PARTE 
EQUIPAMENTOS 
Existem inúmeros acessórios que nos auxiliam no adestramento, mas, para que funcionem como o 
esperado, é preciso saber como utilizá-los da maneira correta. 
Classificando-os por tipo e função básicos, encontraremos no mercado: 
 
¾  brinquedos: objetos que seu cão pode morder e brincar a qualquer momento; 
¾  coleiras: ajudam a identificar e a conter o cão; 
¾  guias e enforcadores: ferramentas para o adestramento e não símbolos de punição e 
autoridade; 
¾  caixas de contenção/transporte: a toca do seu cão, lugar onde ele deve se sentir seguro; 
¾  petiscos e recompensas: comida ou objetos que o cão adore; 
¾  produtos e objetos para "punição": tudo aquilo que é utilizado para produzir sensações 
desagradáveis em seu cachorro, sem machucá-lo. 
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BRINQUEDOS PARA DISTRAÇÃO DIVERTIMENTO E REDUÇÃO DO ESTRESSE Além de tratar-se de um divertimento para seu cão, os brinquedos ajudam a evitar que ele eleja o 
pé da mesa, o controle remoto da televisão ou outras peças de uso doméstico como objetos próprios para 
serem roídos e destruídos. 
Os brinquedos também diminuem o estresse e auxiliam incrivelmente no adestramento. 
Os cãezinhos, como as crianças, costumam enjoar dos brinquedos, portanto é aconselhável trazer 
sempre novidades e guardar parte dos brinquedos mais antigos, por algum tempo, para depois devolvê-los 
ao filhote. Pode ser também que seu cão se apaixone por um brinquedo e passe a idolatrá-lo. Ótimo!, você 
já terá, então, uma excelente ferramenta para o adestramento, que poderá ser usada como recompensa! 
Para demonstrar que os brinquedos são para o seu cãozinho, brinque com os que estiver trazendo 
para ele e incentive-o a fazer o mesmo. Dessa forma você estará deixando claro quais são os objetos que 
seu cão tem permissão para mastigar e brincar. 
Os brinquedos mais recomendados são os de borracha mole ou de náilon duro, grandes o 
suficiente para que o cão não os engula. 
Dicas: Congelar o brinquedo antes de dar ao seu 
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filhote alivia a dor que ele sente na gengiva na troca de dentição, controlando melhor a ansiedade que ele 
tem de roer tudo. 
Existem ainda alguns brinquedos que, além de aliviar o estresse, proporcionam algum tipo de jogo 
que envolve o seu cão e estimula seus reflexos ou seu raciocínio. 
Atenção: Há objetos e produtos que não devem ser empregados como brinquedos. 
Devemos tomar cuidado com produtos naturais pois, se não esterilizados corretamente, poderão 
contaminar seu cachorro com vírus ou bactérias. Tenha cuidado ao escolher os brinquedos para o seu cão, pois muitos deles podem causar sérios 
prejuízos a saúde do animal ou até mesmo matá-lo. 
Conforme a médica veterinária Paola Lazaretti, do Hospital Veterinário da Universidade de São 
Paulo, muitos cães são socorridos por danos causados por brinquedos inadequados, que causam desde 
quebra de dentes até obstruções gastrointestinais. 
Outros brinquedos, apesar de não causar nenhum dano imediato ao cão, podem, com o tempo, 
gastar excessivamente os dentes do animal. Essa categoria abrange os ossos naturais ou defumados, além 
de outros brinquedos duros. 
Objetos não-digeríveis, como bolas de gude, apitos, pedaços de borracha, sininhos, linha, etc., que 
possam ser engolidos pelo cão, podem causar obstrução do aparelho digestivo. Para evitar problemas, procure brinquedos para cães que não despedacem a fim de que seu 
cachorro não corra o risco de engolir parte deles, que não liberem nenhum produto químico nocivo e que 
não gastem excessivamente os dentes do seu cão. Brinquedos digeríveis podem ser "comidos" sem 
grandes problemas, como os courinhos para cães. 
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BRINQUEDOS RECOMENDADOS 
Bolas de tênis: São resistentes, podem molhar e não despedaçam. Algumas raças de cães 
conseguem furá-las com os dentes, murchando-as. 
Brinquedos de borracha macia: Alguns brinquedos de borracha macia são indestrutíveis, 
permitem que o cachorro os morda sem gastar ou quebrar os dentes e pulam de maneira desordenada, 
aumentando a diversão com o brinquedo. 
Brinquedos de materiais digeríveis: Apesar de poderem ser despedaçados e engolidos, não 
causam obstrução do aparelho digestivo pois são digeríveis. 
Ossos de náilon duro: São brinquedos de excelente qualidade, não desgastam os dentes 
excessivamente e alguns deles podem até prevenir acúmulo de tártaro. "Cubo Mágico": Este cubo, depen-
dendo da maneira pela qual é virado, solta quantidades variadas de ração. Brinquedos deste tipo 
estimulam o raciocínio do cão e podem entretê-los por horas. São recomendados para cães ansiosos e 
ativos. 
 
CUIDADO COM ESTES BRINQUEDOS Ossos naturais: Devem estar esterilizados para que não haja perigo de contaminações. Podem 
gastar excessivamente os dentes do cão e até quebrá-los, além do risco de perfurar o esôfago, estômago e 
intestino. 
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Bichos de pelúcia: Podem ser despedaçados e engolidos causando problemas à saúde do animal. 
Bolas de gude: Podem quebrar os dentes do cão, podem ser ingeridas ou, se quebradas, podem 
machucar a boca do cão. 
Bolas ou brinquedos de borracha que se despedaçam: Podem ser engolidos pelo cão, causando 
obstruções no aparelho digestivo. 
 
COLEIRAS E GUIAS 
A coleira deve estar sempre no cachorro, independentemente de você o estar treinando ou não. A 
coleira, além permitir que você contenha o cachorro em situações de emergência, segurando-a, também 
possibilita, se tiver o nome e o telefone gravados, ,a identificação do seu cão, caso ele fuja ou se perca. 
A coleira, assim como qualquer equipamento de contenção, deve ser confiável. Você precisa ter 
certeza de que ela não arrebentará quando você estiver contendo seu cachorro para que ele não atravesse 
uma avenida, por exemplo. 
Além de confiável, ela deverá ser confortável e antialérgica. 
A coleira deve estar justa no pescoço do cão para evitar que ele se enrasque em 
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algo e possa se machucar ou mesmo se enforcar. Para isso, ajuste a coleira de modo que você consiga 
enfiar o dedo entre ela e o pescoço do seu cão sem esforço, mas também sem espaço de sobra. 
É comum alguns cães desenvolverem alergia à coleira, portanto, caso isto ocorra, procure uma coleira e outro material. 
Não se esqueça de colocar algum tipo de identificação na coleira para que seu cão possa ser 
devolvido caso se perca ou fuja. 
 
PLAQUETAS DE IDENTIFICAÇÃO 
Plaquetas de plástico: Não enferrujam. A marcação deve ser em relevo para não se apagar 
facilmente. 
Plaquetas de metal: Procure metais que não enferrujam, como latão, aço ou alumínio. 
A coleira pode ser colocada no cão desde o período em que ele ainda é um filhote, mas lembre-se 
de reajustar o tamanho com freqüência, já que os filhotes crescem muito rápido. Caso seu cão fique muito 
constrangido ou se machuque tentando tirá-la, coloque-a por períodos curtos nas horas de distração ou ao 
alimentá-lo, aumentando aos poucos o tempo em que seu cão fica com ela. 
COLEIRAS 
Coleiras de couro: São resistentes e duram bastante, mas podem começar a apodrecer ou cheirar 
mal se ficarem molhadas. Algumas têm borda arredondada para evitar que seu uso contínuo marque o 
pêlo. 
Coleiras de náilon: Costumam desbotar, mas permanecem muito mais limpas e raramente 
cheiram mal. 
Fivelas: Dê preferência às coleiras com fivelas, já que outros encaixes podem arrebentar mais 
facilmente. 
ENFORCADORES 
Enforcadores são "coleiras" que, sob pressão, enforcam o cão. São úteis, pois fica mais fácil e 
seguro controlar seu cão, diminuindo a força com que ele será capaz de puxá-lo durante o treinamento ou 
nos passeios. São acessórios que não devem ser utilizados como símbolo de autoridade, e não devemos 
jamais enforcar o cão como punição. 
O enforcador deve ser utilizado apenas quando o cão estiver sendo treinado, passeando ou sob 
supervisão humana, já que existe a possibilidade do cão se enforcar acidentalmente. Traumatismos na 
traquéia e hematomas sublinguais são alguns dos problemas que o uso indevido do enforcador pode 
causar. 
O enforcador deverá passar pela cabeça do cão o mais justo possível. Quanto mais justo o 
enforcador estiver no pescoço do cachorro, menor será a chance dele conseguir tirá-lo ou de enroscá-lo 
em algo. 
O enforcador tem o intuito de chamar a atenção do cão através de uma sensação desagradável (de 
enforcamento) todas as vezes que ele tracionar excessivamente a guia. O enforcador, sozinho, não 
soluciona o problema de cães que puxam a guia durante passeios, mas, sem dúvida, auxilia na correçãodesse comportamento. 
É importante que o enforcador seja discreto para o cão: quanto menos óbvio 
71 
ele for para o animal, melhor será o resultado do adestramento. O cão relaciona tudo o que sente e 
percebe ao aprender e, se for sempre treinado com um equipamento muito óbvio, responderá melhor 
apenas quando estiver utilizando aquele equipamento. Você não quer que o seu cão o obedeça só quando 
estiver usando o enforcador, portanto torne esse acessório o mais discreto e imperceptível possível. 
Enforcadores de náilon são melhores que os de metal porque são mais silenciosos e, por isso, 
menos perceptíveis para o seu cão. 
O enforcador deve afrouxar assim que você aliviar a tensão em que a guia estava sendo mantida; 
para isso deverá deslizar facilmente, o que só vai ocorrer se tiver sido colocado da maneira correta. 
 
COLOCANDO O ENFORCADOR:  

 

1. O enforcador possui duas argolas do mesmo tamanho em suas extremidades. 
2. Passe o cordão por dentro de uma das argolas. 
3. Puxe o cordão por dentro da argola até as extremidades se tocarem. 
4. Olhando o cão de frente, forme a letra P com o enforcador e coloque-o no pescoço do cão. 
 
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Atenção: Esta maneira de colocar o enforcador é para conduzir o cão do lado esquerdo. Para as 
pessoas que, por algum motivo, gostam de andar com o cão do lado direito, devem "fazer" um P invertido 
com o enforcador antes de passá-o pela cabeça do cachorro. 
 
ALTERNATIVAS MAIS EFICIENTES QUE O ENFORCADOR: Alguns cachorros engasgam, enforcam-se e não param de puxar a guia, mesmo com o enforcador.
Existem equipamentos que substituem o enforcador e facilitam ainda mais o controle da força de tração,além de ensiná-los a não puxar a guia, sem enforcá-os. 
Halti: Coleira de cabeça, toda vez que o cão puxa a guia a cabeça dele vira automaticamente, o 
que o faz aprender a parar de puxar. Não é uma focinheira e não machuca o cão. Quando tracionado 
também fecha a boca do cão. 
Loop: Peitoral modificado para causar desconforto quando o animal traciona a guia. Peitorais 
normais estimulam o cão a puxar a guia cada vez mais. 
"Gentle Lead": Semelhante ao Halti, mas mais simples. Ambos funcionam bem. 
Todos estes equipamentos permitem que o cão transpire, beba água e morda, mas, mesmo assim, 
devem ser utilizados sob supervisão humana. 
A desvantagem destes equipamentos é que seu uso deve ser introduzido aos poucos ao cão, pois, 
como é uma novidade, no começo é natural o cão se sentir incomodado com o equipamento e tentar tirá-
lo. Acostume seu cão a utilizá-lo antes de prender a guia e ir passear. 
 
GUIAS 
As guias também devem ser confiáveis. Jamais devem abrir ou estourar. Embora confiável, procure com- 
73 
prar a mais leve e simples possível. A guia ideal é a que agüenta um bom tranco e que seu cachorro não 
repara que está preso a ela (quando frouxa), de tão leve e silenciosa. Seu cachorro deve respeitar você e 
não a guia. Cães treinados com guias leves e silenciosas respondem bem aos comandos 
independentemente de estar ou não com a guia. 
Algumas guias têm uma argola na ponta que permite que ela se "transforme" em um enforcador, 
isto é, em uma única corda você tem a guia e o enforcador. Estas guias são práticas e funcionais. Existem vários comprimentos de guia. Para passear, uma guia de 1,5 ou 2 m é a ideal. Outros 
comprimentos são úteis para auxiliá-lo no treinamento. 
Atenção: Se você for deixar seu cachorro preso sem supervisão, procure uma guia, de metal por 
exemplo, que não possa ser roída. 
Guia de corrente: Não é aconselhável para o adestramento pois, além de pesada, é barulhenta, 
tornando-se muito óbvia para o cão. São boas para conter o cão sem supervisão, já que a corrente não 
pode ser roída. 
Guia de tecido pesado e largo: Também não é aconselhável para o adestramento pois é pesada e, 
portanto, óbvia para o cão. 
Guia de cordão resistente: Ideal para o adestramento. Não é obvia para o cão, o que contribuirá 
para que ele lhe obedeça com ou sem a guia. Cordões finos e leves podem ser bastante resistentes, teste-
os antes de utilizá-los. 
Guias reguláveis: São boas para o adestramento, já que possibilitam regular o comprimento. 
Devem travar bem e exigir o mínimo de tração possível para au- 
74 
mentar de comprimento, caso contrário colaborarão para seu cão aprender a puxar você. 
 
CAIXA DE CONTENÇÃO/TRANSPORTE As caixas de contenção/transporte devem ser consideradas como a toca de seu cão. São também 
muito utilizadas para transportar animais. Elas geralmente são feitas de plástico ou fibra. 
Este utensílio tem um valor inestimável para proprietários que querem acostumar o cão dentro de 
casa ou treiná-lo a urinar e defecar somente em um lugar. 
As caixas de contenção lembram uma prisão, por isso muitas pessoas consideram sua utilização 
uma crueldade. Cães são animais de "toca", e, se a caixa de contenção for utilizada corretamente, será a 
toca de seu cachorro, um lugar seguro em que ele se sentirá protegido, tornando-se até mesmo o seu lugar 
preferido. 
Conter o cachorro nesse tipo de caixa evita que ele desenvolva problemas de comportamento 
novos, como, por exemplo, roer o sofá na sua ausência, ou machucar-se comendo algo perigoso ou 
mastigando a fiação elétrica. Só o fato de ficar preso na caixa de contenção não o ensina como se 
comportar ou a respeitar os objetos da casa e tampouco comunica liderança, por isso a caixa de contenção 
deve ser utilizada apenas para que o cachorro fique à vontade e seguro sempre que você quiser, sendo 
empregada como ferramenta para controlar e evitar problemas de comportamento na sua ausência. 
Cães são animais carnívoros que dormem grande parte do tempo e não necessitam estar constante-
mente em atividade; o que não quer dizer que devam ser abandonados dentro da caixa de contenção. Para cães já educados, não há a necessidade de fechar a caixa de contenção, pode deixá-la aberta para que seu 
cão entre e saia quando quiser. 
75 
 
LOCAL IDEAL 
Cães que não podem ficar dentro de casa, em vez de uma caixa de contenção, devem ter uma casi-
nha, do lado de fora, à prova de vento e chuva. 
A caixa de contenção deve ficar em um lugar arejado e de preferência próximo ao movimento da 
casa ou perto das pessoas, pois cães são animais sociais que gostam de estar perto do seu grupo. 
Sempre que for visitar um amigo por alguns dias com seu cão ou viajar com ele, procure levar a 
caixa de contenção para relaxá-lo no ambiente desconhecido, pois, embora quase tudo seja novo para ele, 
o cão terá sua velha casa. 
Atenção: Nunca coloque a caixa de contenção no sol, pois seu cão rapidamente ficará desidratado. 
 
TAMANHO 
Estudos comportamentais mostraram que os cães preferem caixas de contenção justas, sem muito 
espaço livre, pois assim se sentem mais protegidos. 
A caixa de contenção deve ser grande o suficiente para que seu cão possa deitar, ficar em pé e 
consiga se virar, mas não tão grande que permita ao cachorro urinar em um canto e dormir no outro. 
Caixas de contenção auxiliam bastante no condicionamento dos cães para urinar e defecar no local 
correto, já que eles não fazem as necessidades dentro da caixa se esta tiver o tamanho adequado, sendo 
este mais
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um motivo para se considerar o tamanho antes de comprá-la. 
Algumas caixas de contenção possuem divisões para que possam ser ajustadas conforme seu 
cachorro cresça. Se você tiver um filhote, compre uma caixa de contenção do tamanho adequado para o 
cão adulto e faça ou utilize divisões para que fique do tamanho ideal, acompanhando o crescimento do 
seu cão. 
 
TEMPO 
Evite deixar seu cachorro (adulto) preso nela por mais de 8 horas sem supervisão e jamais associe o fato do cão estar na caixa de contenção com qualquer tipo de punição. Como dissemos anteriormente, a 
caixa deverá ser o lugar favorito de seu cão. 
Como o cão não urina ou defeca na caixa de contenção, é fundamental que se respeite o tempo 
máximo de contenção para cada idade. Cães mais jovens necessitam fazer suas necessidades mais vezes 
ao dia que os adultos. 
Para fazer o cálculo de tempo, há uma regra fácil de ser lembrada: soma-se 1 à idade do cão em 
meses, o resultado é o número de horas que o cão pode ficar contido na caixa de contenção, até 8 horas no 
máximo. Por exemplo: Se o cão tiver 2 meses, ele poderá ficar na caixa de contenção 2+1=3 horas, no 
máximo. 
Idade (meses)  Tempo máximo na caixa de 
                                   contenção (horas) 
1                                            2 
2                                            3 
3                                            4 
4                                            5 
5                                            6 

 

6                                            7 
7                                            8 
8             ou mais                   8 
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Atenção: Cães doentes ou infestados com verminoses não devem ser contidos em espaço reduzi-
do, já que não conseguem controlar suas necessidades de defecar e urinar. 
 
MODELOS DE CAIXAS DE CONTENÇÃO/TRANSPORTE 
Fibra: Costumam ser mais resistentes e mais pesadas que as de plástico. Não podem ser tóxicas e 
nem devem ter cheiro forte. 
Plástico: São leves e funcionais. 
Desmontáveis: São desmontáveis como barracas. São muito práticas para pessoas que viajam 
bastante ou que participam de exposições ou campeonatos de obediência. Só servem para cães que estão 
acostumados (e não tentam destruir) a caixa de contenção pois não são muito resistentes. 
 
PETISCOS Os petiscos são alimentos que nos ajudam a recompensar o cão. Os petiscos não devem 
desbalancear a dieta do animal. Quanto mais saudáveis ou quanto menos interfiram na dieta, melhor. 
Existem petiscos produzidos especialmente para o treinamento. Além dessas características, é muito 
importante que seu cão os adore para que sirvam ao propósito do adestramento. 
Os petiscos não devem ultrapassar as porções de um tira-gosto para não substituírem a refeição do 
cão. 
78 
É aconselhável quebrar ou cortar os petiscos em pedaços bem pequenos antes de utilizá-los como 
recompensa. Por exemplo, a salsicha deve ser cortada em 20 pedaços, no formato de moedas. 
Brinquedos também podem ser utilizados como recompensa. Escolha o brinquedo que seu cão 
mais goste. Mas para essa finalidade evite as bolas, pois elas podem rolar para lugares perigosos, como 
uma avenida, por exemplo, e seu cão, ao segui-Ia, pode ser vítima de um acidente. 
Os brinquedos ideais para o adestramento são aqueles que podem ser retirados facilmente da boca 
do cachorro. Os brinquedos maiores geralmente são mais fáceis de se tirar do cachorro e também não 
oferecem o risco de que o cachorro possa engoli-los acidentalmente. 
 
ALGUMAS RECOMPENSAS QUE PODEM SER UTILIZADAS 
¾  Rodelas de salsicha, 
¾  pedaços de queijo, 
¾  pipoca sem sal e sem óleo, 
¾  petiscos comerciais,  
¾  brinquedos. UTENSÍLIOS QUE AJUDAM A “PUNIÇÃO” 
A punição, como dissemos anteriormente, tem a finalidade de reprimir o comportamento e não a 
de machucar o cachorro. Bater no cachorro é considerado pelo animal um ataque ou um convite para 
brincar e não uma punição. Apresentaremos aqui alguns equipamentos que ajudam a "punir" seu 
cachorro. 
Há certos utensílios que podemos jogar para assustar 
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o cachorro quando queremos adverti-lo para não fazer determinada coisa, mas devemos ter sempre muito 
cuidado para não acertá-lo. É importante que esses objetos possam ser jogados na direção do cachorro 
sem que ele os relacione diretamente com você, para possibilitarem uma despersonalização da punição 
(consulte as Técnicas de Adestramento). 
 
VOCÊ PODE USAR 
¾  molho de chaves pesadas; 
¾  uma lata tampada cheia de parafusos e moedas, 
¾  uma garrafa de plástico vazia, tipo "Big Coke", ¾  spray com água, 
¾  substância amarga, 
¾  spray com substância amarga. 
 
Se estes utensílios forem utilizados de forma correta,. além de eficazes, podem funcionar como 
repelente para seu cachorro. Por exemplo, ao colocar a lata em cima de uma cadeira, você evitará que ele 
suba nela. 
Existem produtos especiais para evitar que seu cachorro roa algo. Amargos e inofensivos, eles 
impedem que o cachorro roa determinados objetos. São muito úteis e podem ser utilizados em conjunto 
com os objetos para "punir" o cão. Além de sentir um gosto horrível ao roer algo, ele também levará um 
susto com as chaves, dando mais poder para ambas ferramentas. Se o produto tiver um odor (por mais 
fraco que seja), poderá ser aproveitado e colocado na lata e nas chaves, assim o seu cachorro 
80 
relacionará o odor com uma atitude errada, e você terá mais uma ferramenta para impedir comportamen-
tos indesejáveis. 
Leia o capítulo das técnicas de adestramento antes de começar a utilizar esses utensílios, pois você 
sem querer pode dessensibilizar seu cão e o objeto deixará de funcionar como meio de punição. 
 
COLEIRAS DE TREINAMENTO 
São coleiras que punem o cachorro sem machucá-la. São eficientes se utilizadas corretamente. São 
manejadas através de um controle remoto ou ativadas por algum mecanismo, permitindo acioná-las sem 
que o cão relacione a punição com a sua presença. 
Coleira elétrica: produz um estímulo elétrico, causando desconforto ao cão. Estas devem ser utilizadas apenas por profissionais, pois a intenção é causar somente desconforto e, se mal utilizadas ou 
mal reguladas, podem machucar ou traumatizar o animal. 
 
COLEIRAS CONTRA LATIDOS EXCESSIVOS 
Esses utensílios reeducam o comportamento de latidos do seu cão, utilizando um método que é 
facilmente entendido pelo cachorro. Essas coleiras são equipadas com sensores que detectam as vibrações 
quando seu cachorro Iate, ativando um mecanismo que pode espirrar citronela ou algum outro produto 
inofensivo em seu cão ou, ainda, ativar uma pequena corrente (estimulo elétrico), causando desconforto 
ao animal toda vez que ele latir. Nestas últimas, é fundamental que a intensidade do estímulo elétrico seja 
regulável para que cause somente um pequeno desconforto ao cachorro. 
81 
Coleira elétrica contra latido: Deve ser regulada para que cause somente desconforto. 
Coleira contra latido que espirra citronela: Com relação a coleiras que espirram algum produto, 
verifique com seu veterinário se o produto utilizado não prejudica de alguma forma os orgãos sensoriais 
do cão. 
A vantagem desta coleira é que não há envolvimento dos proprietários na correção, portanto torna-
se um condicionamento muito mais consistente e rápido. Geralmente o uso da coleira corretiva durante al-
gumas horas já é suficiente para mudar o comportamento de latidos. 
A desvantagem é que o cão provavelmente relacionará o uso da coleira com a restrição de latidos. 
E, ao ser retirada a coleira do cachorro, os latidos demasiados podem voltar. Esse problema pode ser 
facilmente resolvido com a utilização de uma coleira parecida com a coleira corretiva, "enganando" o cão. 
Existem coleiras que inibem totalmente os latidos do cão e outras que inibem latidos em demasia, isto é, ela só é ativada se o cão latir além de um determinado tempo. 
Atenção: Não é saudável para o cão latir excessivamente. Cães que latem muito podem vir a ter 
problemas de saúde, como úlceras, por exemplo. 
 
COLEIRAS QUE IMPEDEM QUE SEU CÃO SAIA DE SUA PROPRIEDADE 
Coleiras corretivas que são ativadas quando seu cão chega perto do limite estipulado por você 
(enterrando um fio no perímetro de sua propriedade ou colocando emissores de ultra-som). Primeiramente 
elas apitam, depois aplicam um choque elétrico seguro ou esguicham um jato de citronela. Os c;ães 
aprendem facilmente a evitar as "zonas" proibidas, evitando a "punição". 
Cercas Invisíveis: Essas coleiras eliminam a necessidade de cercas ou, se estas já existirem, previnem 
que o cão escape, 82 
pulando ou cavando por baixo delas. 
São acessórios eficazes quando usadas corretamente. É necessário seguir exatamente todas as 
indicações dos manuais e treinar os cachorros a respeitar a "cerca". É muito útil para chácaras, sítios e 
fazendas. 
Também podem ser utilizadas para impedir que os cães cheguem muito perto de piscinas e outros 
lugares que possam oferecer-lhes riscos. 
Atenção: Qualquer método de punição não deve machucar o cachorro ou prejudicar sua parte 
sensorial. Informe-se antes de comprar qualquer equipamento. 
 
“CLICKERS” 
Clickers são, essencialmente, um jeito abreviado de dizer "muito bem". Estão sendo utilizados 
cada vez mais e são de indiscutível utilidade. 
O princípio é simples, você treina o seu cachorro a adorar um determinado som (click) e passa a 
utilizá-lo sempre que o seu cachorro efetuar o comportamento desejado. Em pouco tempo, o cão estará 
obedecendo seus comandos para que possa ouvir o click e receber a recompensa. 
Como fazer isto? Leia o capítulo sobre técnicas de adestramento. 
O clicker ajuda o seu cão a reconhecer exatamente o comportamento que gerou a recompensa. Ou 
seja, sempre que seu cão escutar o click, saberá que executou o comportamento correto e poderá receber a 
recompensa. Por ser instantâneo, é uma ótima maneira 
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de deixar claro para o cão que ele recebeu a recompensa por sentar e não por latir, por exemplo, mesmo 
que tenha latido logo após ter sentado. Ajuda o cão a identificar exatamente o comportamento desejado 
por ser bem mais rápido e preciso do que, por exemplo, se você falar: “muito bem...” O clicker também funciona bem a distância. É impraticável, por exemplo, jogar um petisco para o 
cão no exato momento em que ele salta, mas o click permite que "diga" ao cão que acertou e que pode vir 
buscar a recompensa. 
O click é considerado uma recompensa secundária que reduz a necessidade de recompensas 
primárias, como os petiscos, por exemplo. 
Existe uma infinidade de clickers no mercado, embora qualquer objeto que faça um barulho rápido 
e preciso funcione como tal, inclusive um estralo com a boca pode ter o mesmo resultado, desde que 
consistente e exato. 
Apito ultra-som: Somente os cães o escutam, pode ser utilizado para treinar cães a distância sem 
incomodar as demais pessoas. 
Apito: Útil para treinar cães a distância, mas pode perturbar as demais pessoas no local. 
Clicker propriamente dito: Fácil de segurar na mão ou prender no dedo, possibilitando ficar com 
a boca livre para dar comandos orais. É o clicker mais utilizado por profissionais. 
 
REMOVEDORES DE ODOR 
Os removedores de odor ajudam a impedir que o cão se sinta encorajado a urinar novamente num 
local impróprio. Cães são estimulados a urinar sempre nos mesmos locais, por isso qualquer cheiro de 
urina ou fezes deve ser neutralizado o mais rápido possível para 
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evitar que se torne um hábito para seu cão urinar em locais inconvenientes. 
Álcool: Produtos de limpeza não funcionam tão bem quanto os produtos removedores ou neutralizadores de odor. O faro dos cães é muito superior ao nosso e podem detectar o cheiro da urina 
facilmente, mesmo que seja imperceptível para nós. 
Removedor enzimático: Alguns produtos são feitos à base de enzimas e necessitam de um bom 
tempo para reagir e remover totalmente o odor. Nestes casos, deixe a substância agir, mantendo o local 
úmido durante o tempo determinado pelo fabricante (normalmente, no mínimo 24 horas). 
Atenção: Remova o cheiro, não jogue simplesmente álcool em cima do local, pois seu cão pode 
relacionar o cheiro de álcool com o da urina e todo lugar que você limpar com álcool pode estimular o 
cão a urinar. 
85 
 
APLICAÇÃO PRÁTICA 1. Utilize brinquedos para divertir e reduzir o estresse, isso é muito importante. 
2. Não se esqueça de que os brinquedos não podem ser muito duros, não devem despedaçar 
(quebrar) e devem ter um tamanho mínimo para que o cão não os engula se não forem digeríveis. 
3. Compre uma coleira resistente, antialérgica e confortável. Seu cão deve usá-la o tempo 
todo. 
4. Empregue o enforcador como acessório auxiliar para controlar a força de tração do cão. É 
um utensílio que só deve ser utilizado sob supervisão humana direta e jamais deve ser utilizado como 
símbolo de autoridade. 
5. Ajuste o enforcador para entrar justo na cabeça do cão e certifique-se de que ele seja 
silencioso e leve. 
6. Empregue guias resistentes, leves e silenciosas. 
7. Escolha uma caixa de contenção justa para o padrão de seu cachorro, permitindo somente 
que o animal deite, fique em pé e consiga se virar. 
8. Ofereça como recompensa apenas petiscos ou objetos que seu cão adore. Os petiscos 
devem ser dados em pequena quantidade e não devem desbalancear a dieta. Os brinquedos devem 
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ser grandes para que possam ser removidos facilmente da boca do cachorro. 
 9. Lembre-se de que a punição não pode machucar ou prejudicar os sentidos do cão. 
 10. Use produtos amargos para evitar que o cão roa determinados objetos. 
 11. Não se esqueça de que clickers são objetos que produzem um som para indicar ao cão o 
comportamento exato que gerou a recompensa. São mais rápidos e precisos que comandos falados. 
 12. Remova os odores de urina e fezes dos lugares indesejáveis. Utilize removedores de odor e 
não qualquer produto de limpeza. 
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